Fala Werneck

 

 

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Viver é sentir

 

A vida é repleta de sensações e emoções; o poeta, bem cedo na vida, já vivencia a tragédia e o desamparo.

O significado do guarda-chuva é singelo, e ver a percepção dele de não ter um é triste.

 

O jovem então vai aprendendo como a vida pode te danificar e ameaçar. Mas também existem os momentos de alegria e serenidade. Nenhuma vida tem apenas um dos lados.

Ele segue temendo o amor, mas o coração mostra que não pode ser domado facilmente.

E quando o poeta tem ações agressivas e cruéis para proteger algum injustiçado, o leitor se questiona até que ponto é possível absolvê-lo da crueldade.

 

O bem exige dedicação e constância.

O mal pode ser atrativo, expressivo e se mostrar justificável. Mas algumas ações não têm argumento, existem atos que podem te marcar por décadas ou pelo resto da vida.

Um poeta que sempre duvidou de sua arte. Difícil imaginar, certo? No entanto, ele não tinha um guarda-chuva, o que torna a dúvida compreensível.

 

Cada um de nós precisa de um guarda-chuva para nos proteger das tempestades da vida.

Talvez, alguns sejam temporários, mas sempre precisamos de um. Nem que seja preciso criá-lo.

 

O livro narra com certa delicadeza diversas tragédias e intempéries humanas, o processo de descoberta da arte pelo poeta ocorre em meio às turbulências da vida, às ações realizadas sem muita reflexão, às outras que representam boas soluções e também àquelas que foram feitas no ardor da raiva, decepção e ódio.

 

Ele tem atitudes bruscas e até exageradas tentando ajudar pessoas, como a Pâmela e a Gisela.

Já com o Palhaço foi aquela conexão instantânea que se danifica pelo egoísmo humano.

 

No fim das contas, o ser humano é capaz de construir algo incrível e destruir algo memorável, tudo depende das escolhas.

A voz presente na mente do poeta acompanha cada um de nós. Em alguns momentos ela deve ser ouvida, em outros ignorada, mas não podemos deixá-la adormecer eternamente, porque as consequências serão trágicas e a tempestade pode ser mais forte do que qualquer abrigo.

 

Que possamos aprender a lidar com as tempestades e abrir o nosso próprio guarda-chuva. Porque todos nós merecemos alguma proteção.

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Sentimentos inesperados

 

Ainda não te disse nada é uma leitura emocionante e envolvente.

 

As cartas são lindas e a maneira improvável como o sentimento da Marina vai crescendo é tocante.

A reviravolta que acontece é inesperada, mas reflexiva. Porque leva o leitor a questionar o significado do amor e se realmente existem barreiras para um amor puro e verdadeiro.

A maneira como as coisas se encaixam na vida da personagem principal, como certas coisas não acontecem conforme as expectativas dela e outras se realizam de forma mais surpreendente ainda, nos mostra que a vida não vem com um roteiro, algumas coisas estão muito além do nosso controle, e não existe questionamento quanto a isso.

 

Esse livro expressa mais do que o amor, expressa esperança e fé na capacidade das pessoas de criar e construir algo com paixão e dedicação. Seja algo “antiquado” como escrever cartas, ou mesmo bombar um perfil no Instagram.

A Marina vive em dois mundos: o inesperado das cartas e o das aparências do Instagram. E todos nós sucumbimos (em parte) ao mundo digital, um mundo “perfeito”, repleto de sorrisos e filtros.

 

Precisamos valorizar e perceber toda a beleza que a vida nos oferece através do contato honesto e simples com as pessoas; sentimentos lindos podem ser construídos, não apenas do amor romântico, mas do amor entre amigos.

 

A vida nos traz muitas dificuldades, tristezas, mas ela também é linda e inesquecível; que possamos valorizar os nossos sentimentos e os das outras pessoas com o carinho e a atenção que dedicamos à escrita de uma carta, onde escrevemos com atenção à nossa letra e às nossas palavras, porque nelas está um pouco da nossa alma.

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O livro já começa com uma linda carta de amor, que foi escrita por Júlia, uma mulher que trabalha alegrando e consolando os dias de muitos com cartas (que não foram escritas pelo nome que assina).

Um trabalho diferente, emotivo, singelo.

 

A outra personagem é a Marina, uma jovem apaixonada por moda, que abre mão do negócio da família no interior para tentar realizar seu sonho na capital.

 

A vida delas se conecta por acaso.

Onde será que as cartas as levarão?

 

Nós fazemos muitos planos na vida, e alguns não acontecem nem remotamente parecidos com o que esperávamos. Mas a vida é assim, repleta de incertezas e de novas oportunidades.

 

Será que Marina conseguirá realizar seu sonho? Será que ela tem consciência de tudo que já conquistou?

E Júlia? Será que ela tem algum problema? Será ela também uma pessoa solitária, como todas aquelas para as quais ela escreve cartas?

 

Tanta coisa para descobrir, e o Maurício ainda não disse quase nada.

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Setembro promete leituras incríveis e diferentes!

Fazia tempo que eu não lia sobre o Egito antigo, então vamos compensar isso! 🙂

Segue a lista com as sinopses.

 

Ainda não te disse nada – Mauricio Gomyde

“É possível amar alguém que você nunca viu?

Apaixonar-se apenas por suas palavras?

E se ele tiver uma vida absolutamente diferente da sua?

Pois é, isso aconteceu comigo, ao abrir uma carta que não tinha sido endereçada a mim.

A curiosidade por saber mais sobre o remetente, e conhecer a história de amor que ele vivera com sua ‘amada eterna’, foi muito mais forte do que a certeza de estar fazendo algo errado.

Ao responder à carta, só não imaginava que aquela decisão seria o maior acerto da minha vida…”

 

A viúva – Fiona Barton

A esposa

Ela levava uma vida maravilhosa e comum. Boa casa, bom marido. Ele era mais do que ela sempre quis: um príncipe encantado. Mas então tudo mudou.

O marido

Os jornais inventaram um novo nome para ele: MONSTRO. Um homem suspeito de um crime inimaginável. Os anos foram passando sem que nenhuma prova seja encontrada, e a vida do casal segue constantemente estampada nas primeiras páginas.

A viúva

Agora ele está morto e ela se vê sozinha pela primeira vez, livre para contar sua versão dos fatos.

E ela vai falar tudo o que sabe.

 

Tutancâmon – Nick Drake

Com apenas 18 anos, o jovem rei Tutancâmon está disposto a pôr um fim na instabilidade política vivida pelo Egito. Ao lado da esposa, a rainha Ankhesenamon, ele é o herdeiro de um império que deveria estar no auge de seu poder e glória, mas que sofre constantemente com guerras e conspirações internas.

O plano de reafirmar a autoridade de sua dinastia, porém, parece estar seriamente ameaçado quando “presentes” bizarros começam a aparecer no palácio real. Para piorar a crise, vários corpos brutalmente mutilados são encontrados nos arredores da cidade de Tebas.

Para investigar esses estranhos eventos, o experiente detetive Rai Rahotep é convocado pela rainha. Mas quando as conexões entre esses crimes o levam a descobrir segredos no obscuro coração do poder, as vidas de Rahotep e de todos que ele ama estarão mais do que nunca em risco.

 

Caça ao homem – A vingança dos deuses – Christian Jacq

O escriba Kel acordou assustado e correu até a janela do quarto. Pela posição do sol, a manhã já estava bem avançada. Ele, um brilhante jovem, considerado superdotado em inteligência e com uma bela carreira pela frente, acreditou que seria castigado por seu indesculpável atraso. Mas ao chegar apressadamente ao local, uma visão de horror o paralisou: seus companheiros de trabalho tinham virado cadáveres.

 

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Trechos

 

“O peso das considerações mais sensatas, menos volúveis, de minutos em minutos retornava e me atingia com força redobrada. Mas eu já estava muito longe para pensar em voltar.”

 

“O mundo estava turvo demais para pensar em me afastar do único sopro de existência que me mantinha desperto.”

 

“Mas essas palavras antecipavam uma expectativa de meses, entrevista nas fraturas cotidianas que se descortinavam a partir daquelas pequeninas ações.”

 

“O Deus que nos representa pode representar a bactéria de um outro corpo que O carregue, e assim por diante, numa crescente interminável.”

 

“As linhas de pequenas frases eram preenchidas com vagar e cansaço, todas elas esgotando-se em si mesmas, impossibilitando brechas.”

 

“Divergência alguma teria significado para o jovem naquele instante que conservaria em sua memória como um parágrafo a partir do qual sua vida, toda ela, seria tracejada.”

 

“Logo esse tipo de agora, logo dessa forma tão punitiva, tão sem retorno, que o faz prestar suas contas diante de um tribunal interno que o condena por desperdiçar sua vida.”

 

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A crua realidade do ser humano

 

Livros de contos podem ser problemáticos, porque o leitor, usualmente, gosta de algumas histórias e detesta outras. Mas O córrego possui uma consonância marcante, todas as histórias falam sobre a realidade humana; não apenas isso, mostram a ordinariedade da vida.

 

A vida pode ser bonita, satisfatória e gratificante; mas também pode ser emblemática e sombria.

O ser humano possui em si características boas e ruins, a cada momento, escolhas são feitas, e um desses “lados” fica em destaque.

Lázaro vai falar sobre o lado vil, sobre a crueldade e a tristeza que marca a vida de tantos.

 

A maldade pode ser “atrativa”, porque muitas pessoas recorrem à ela para conseguir o que querem. Como o homem que esfaqueia a prostituta e ainda se aproveita dela.

Alguns adoram tirar vantagem de tudo; outros sentem prazer em diminuir alguém, como a esposa insatisfeita. Há aqueles também que fazem algo prejudicial de forma consciente, por acreditar que não existe outro caminho para si, e encontram seus fins funestos de forma solitária.

Um livro que “incomoda” por sua exposição.

 

O ser humano pode ser vil e desprezível, ainda que esteja procurando sua própria nascente.

Muitas vidas acabam de repente e ao final da leitura é possível compreender a capa.

A vida é uma sequência de altos e baixos, até o momento em que tudo cessa.

Existem momentos que marcam e existem aqueles que definem todo o futuro.

Cada curva, cada pedra, cada pulsar, pode representar o fim ou apenas o começo.

Vidas se perdem, mas algumas podem ter um derradeiro significado.

 

No fim das contas, fazer algo ruim é fácil, mas a que custo? Fazer o bem, lutar por algo bom é difícil, trabalhoso, cansativo, mas sempre valerá a pena.

Questione a natureza egoísta do ser humano e transforme o seu percurso, modifique-o, antes da última batida.

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Resolvi aumentar a lista, porque quero ler bastante nas férias! 😉

 

Um de nós está mentindo – Karen M. McManus

Eles estão todos juntos nessa ou tem alguém puxando as cordinhas?

Quem é o mestre?

E quem é a marionete?

 

O córrego – Lázaro Cassar

“Sei que, depois de voltar meu olhar para trás, parte do meu desejo se esvaiu, e quase fiz o retorno. Procurei obscurecer as razões e simplesmente continuar andando. Andando, andando, andando…” Esses são os primeiros passos do escritor Lázaro Cassar, que, com muita sensibilidade e ousadia, nos faz viajar, divagar e errar pelo seu córrego.

 

Doadores de sono – Karen Russell

Uma epidemia assola os Estados Unidos.

Milhares de pessoas perdem a capacidade de dormir. Conheça a Corpo do Sono, uma organização que persuade sonhadores saudáveis a fazer doações para os insones. Sob o comando dos enigmáticos irmãos Storch, o alcance da Corpo do Sono só cresce, e ela já está presente nas principais cidades americanas. Trish Edgewater, cuja irmã, Dori, foi uma das primeiras vítimas da insônia letal, há sete anos recruta doadores para a organização. Mas sua crença na empresa e nas próprias motivações começa a vacilar quando é confrontada com a Bebê A, a primeira doadora universal, e com o misterioso e maligno Doador Q.

 

A única mulher – Marie Benedict

Ela era linda, um ícone do cinema. E uma cientista absolutamente genial.

O mundo não estava preparado para Hedy Lamarr.

 

A rede de Alice – Kate Quinn

Neste romance histórico hipnotizante, duas mulheres – uma espiã recrutada para a Rede de Alice, esquema real que ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, e uma universitária americana que busca sua prima ao final da Segunda Guerra – são unidas em uma história de coragem e redenção.

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O córrego é um livro de contos que está se mostrando interessante e enigmático.

 

Nos dois contos que li, já pude perceber que trata-se de um livro diferente; e isso é incrível.

Vivemos em um mundo onde as pessoas se acostumaram a receber todas as informações “mastigadas”, sendo comum no primeiro capítulo de um livro já imaginar o final. Alguns nos surpreendem, mas muitos não.

E ao começar essa leitura, constatei que ele não é assim, é diferenciado.

 

Os primeiros contos já falam de tanta coisa em poucas páginas, com suas metáforas bem construídas que podem ser lidas de diferentes maneiras.

É difícil escrever um texto que permita múltiplas interpretações bem elaboradas.

 

A busca pela nascente do córrego pode representar tantas coisas; pode significar tantas experiências, e a identificação que o leitor pode construir com o texto é estranhamente simples.

Mesmo que cada um enxergue algo particular, todos nós buscamos uma nascente, a nossa própria nascente. O caminho é longo e nos faz querer desistir, mas o apelo da busca é maior.

Existem coisas muito maiores do que as dificuldades e devemos lutar por elas.

 

Enfim, espero que a leitura continue inspiradora e que mais pessoas conheçam esse livro, que já se mostra singular.

Precisamos aproveitar melhor nossas leituras, permitindo que elas nos transformem.

Precisamos ir além com as leituras, faça isso.

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Ponto de vista

 

Um homem que em vida não buscou construir vínculos e valores bons, encontra na morte uma solidão e um não pertencimento, sendo uma alma perdida com seu próprio corpo ainda.

Em contrapartida, temos um menino que tem atitudes boas e se preocupa com o avô.

 

Dois personagens bem diferentes: um, quer usar seu desalento para levar medo e desespero às pessoas com as quais encontra; o outro, quer apenas ajudar, cumprindo seu “dever” e não sendo feito de bobo pelos amigos.

 

Corpo Seco é escrito em versos com rimas, um livro infantil que através de suas metáforas pode desenvolver diversos conceitos interessantes para os pequenos.

Pais e professores podem se aproveitar dessa história de terror para conversar com suas crianças, analisando a vida dos personagens e como cada um percebe as situações de forma diferente.

 

 E não apenas para as crianças, nós adultos podemos refletir sobre a maneira como estamos enxergando a vida, se isso é algo bom ou ruim.

Às vezes, com as situações da vida cotidiana, acabamos limitando o nosso olhar e não percebemos como as coisas poderiam ser diferentes.

 

Empatia, serenidade, amabilidade.

Conceitos que podem ser apenas isso: palavras em um papel; ou podem ser muito mais. Se nos permitirmos ter um olhar menos amargo diante da vida, notaremos quanta doçura ela pode conter.

 

Basta termos coragem de encarar com um novo olhar.

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Hoje vim falar um pouco do livro infantil Corpo Seco da Andreia Marques, nova autora parceira do blog.

 

Primeiro, gostaria de falar um pouco sobre a importância da literatura infantil na minha vida. Trabalho na biblioteca de uma escola de ensino fundamental, e me deparo com o desafio diário de incentivar o hábito da leitura na vida dos pequenos.

Alguns gostam de ler, outros não.

Mas muitos procuram histórias “assustadoras”, e dificilmente acham. Não se fazem muitos livros assim para crianças, e ao folhear Corpo Seco já percebi que é um livro que as crianças vão gostar de ler.

 

As ilustrações são bonitas e meio assustadoras (como as crianças gostam) e o material do livro é de qualidade.

Ao ler as primeiras páginas me deparei com outra surpresa muito boa: o livro é escrito em versos e com rimas!

As rimas representam uma dificuldade para muitas crianças, e ver um livro construído com cuidado assim, nota-se que a autora possui um grande conhecimento do mundo infantil e realmente procura criar obras que serão adoradas e lidas repetidas vezes pelos pequenos.

 

Livros assim, que ajudam a despertar o interesse e também podem ajudar muito os professores a trabalharem temas diversos.