Fala Werneck

ocorrego

 

A crua realidade do ser humano

 

Livros de contos podem ser problemáticos, porque o leitor, usualmente, gosta de algumas histórias e detesta outras. Mas O córrego possui uma consonância marcante, todas as histórias falam sobre a realidade humana; não apenas isso, mostram a ordinariedade da vida.

 

A vida pode ser bonita, satisfatória e gratificante; mas também pode ser emblemática e sombria.

O ser humano possui em si características boas e ruins, a cada momento, escolhas são feitas, e um desses “lados” fica em destaque.

Lázaro vai falar sobre o lado vil, sobre a crueldade e a tristeza que marca a vida de tantos.

 

A maldade pode ser “atrativa”, porque muitas pessoas recorrem à ela para conseguir o que querem. Como o homem que esfaqueia a prostituta e ainda se aproveita dela.

Alguns adoram tirar vantagem de tudo; outros sentem prazer em diminuir alguém, como a esposa insatisfeita. Há aqueles também que fazem algo prejudicial de forma consciente, por acreditar que não existe outro caminho para si, e encontram seus fins funestos de forma solitária.

Um livro que “incomoda” por sua exposição.

 

O ser humano pode ser vil e desprezível, ainda que esteja procurando sua própria nascente.

Muitas vidas acabam de repente e ao final da leitura é possível compreender a capa.

A vida é uma sequência de altos e baixos, até o momento em que tudo cessa.

Existem momentos que marcam e existem aqueles que definem todo o futuro.

Cada curva, cada pedra, cada pulsar, pode representar o fim ou apenas o começo.

Vidas se perdem, mas algumas podem ter um derradeiro significado.

 

No fim das contas, fazer algo ruim é fácil, mas a que custo? Fazer o bem, lutar por algo bom é difícil, trabalhoso, cansativo, mas sempre valerá a pena.

Questione a natureza egoísta do ser humano e transforme o seu percurso, modifique-o, antes da última batida.

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Resolvi aumentar a lista, porque quero ler bastante nas férias! 😉

 

Um de nós está mentindo – Karen M. McManus

Eles estão todos juntos nessa ou tem alguém puxando as cordinhas?

Quem é o mestre?

E quem é a marionete?

 

O córrego – Lázaro Cassar

“Sei que, depois de voltar meu olhar para trás, parte do meu desejo se esvaiu, e quase fiz o retorno. Procurei obscurecer as razões e simplesmente continuar andando. Andando, andando, andando…” Esses são os primeiros passos do escritor Lázaro Cassar, que, com muita sensibilidade e ousadia, nos faz viajar, divagar e errar pelo seu córrego.

 

Doadores de sono – Karen Russell

Uma epidemia assola os Estados Unidos.

Milhares de pessoas perdem a capacidade de dormir. Conheça a Corpo do Sono, uma organização que persuade sonhadores saudáveis a fazer doações para os insones. Sob o comando dos enigmáticos irmãos Storch, o alcance da Corpo do Sono só cresce, e ela já está presente nas principais cidades americanas. Trish Edgewater, cuja irmã, Dori, foi uma das primeiras vítimas da insônia letal, há sete anos recruta doadores para a organização. Mas sua crença na empresa e nas próprias motivações começa a vacilar quando é confrontada com a Bebê A, a primeira doadora universal, e com o misterioso e maligno Doador Q.

 

A única mulher – Marie Benedict

Ela era linda, um ícone do cinema. E uma cientista absolutamente genial.

O mundo não estava preparado para Hedy Lamarr.

 

A rede de Alice – Kate Quinn

Neste romance histórico hipnotizante, duas mulheres – uma espiã recrutada para a Rede de Alice, esquema real que ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, e uma universitária americana que busca sua prima ao final da Segunda Guerra – são unidas em uma história de coragem e redenção.

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O córrego é um livro de contos que está se mostrando interessante e enigmático.

 

Nos dois contos que li, já pude perceber que trata-se de um livro diferente; e isso é incrível.

Vivemos em um mundo onde as pessoas se acostumaram a receber todas as informações “mastigadas”, sendo comum no primeiro capítulo de um livro já imaginar o final. Alguns nos surpreendem, mas muitos não.

E ao começar essa leitura, constatei que ele não é assim, é diferenciado.

 

Os primeiros contos já falam de tanta coisa em poucas páginas, com suas metáforas bem construídas que podem ser lidas de diferentes maneiras.

É difícil escrever um texto que permita múltiplas interpretações bem elaboradas.

 

A busca pela nascente do córrego pode representar tantas coisas; pode significar tantas experiências, e a identificação que o leitor pode construir com o texto é estranhamente simples.

Mesmo que cada um enxergue algo particular, todos nós buscamos uma nascente, a nossa própria nascente. O caminho é longo e nos faz querer desistir, mas o apelo da busca é maior.

Existem coisas muito maiores do que as dificuldades e devemos lutar por elas.

 

Enfim, espero que a leitura continue inspiradora e que mais pessoas conheçam esse livro, que já se mostra singular.

Precisamos aproveitar melhor nossas leituras, permitindo que elas nos transformem.

Precisamos ir além com as leituras, faça isso.

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Ponto de vista

 

Um homem que em vida não buscou construir vínculos e valores bons, encontra na morte uma solidão e um não pertencimento, sendo uma alma perdida com seu próprio corpo ainda.

Em contrapartida, temos um menino que tem atitudes boas e se preocupa com o avô.

 

Dois personagens bem diferentes: um, quer usar seu desalento para levar medo e desespero às pessoas com as quais encontra; o outro, quer apenas ajudar, cumprindo seu “dever” e não sendo feito de bobo pelos amigos.

 

Corpo Seco é escrito em versos com rimas, um livro infantil que através de suas metáforas pode desenvolver diversos conceitos interessantes para os pequenos.

Pais e professores podem se aproveitar dessa história de terror para conversar com suas crianças, analisando a vida dos personagens e como cada um percebe as situações de forma diferente.

 

 E não apenas para as crianças, nós adultos podemos refletir sobre a maneira como estamos enxergando a vida, se isso é algo bom ou ruim.

Às vezes, com as situações da vida cotidiana, acabamos limitando o nosso olhar e não percebemos como as coisas poderiam ser diferentes.

 

Empatia, serenidade, amabilidade.

Conceitos que podem ser apenas isso: palavras em um papel; ou podem ser muito mais. Se nos permitirmos ter um olhar menos amargo diante da vida, notaremos quanta doçura ela pode conter.

 

Basta termos coragem de encarar com um novo olhar.

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Hoje vim falar um pouco do livro infantil Corpo Seco da Andreia Marques, nova autora parceira do blog.

 

Primeiro, gostaria de falar um pouco sobre a importância da literatura infantil na minha vida. Trabalho na biblioteca de uma escola de ensino fundamental, e me deparo com o desafio diário de incentivar o hábito da leitura na vida dos pequenos.

Alguns gostam de ler, outros não.

Mas muitos procuram histórias “assustadoras”, e dificilmente acham. Não se fazem muitos livros assim para crianças, e ao folhear Corpo Seco já percebi que é um livro que as crianças vão gostar de ler.

 

As ilustrações são bonitas e meio assustadoras (como as crianças gostam) e o material do livro é de qualidade.

Ao ler as primeiras páginas me deparei com outra surpresa muito boa: o livro é escrito em versos e com rimas!

As rimas representam uma dificuldade para muitas crianças, e ver um livro construído com cuidado assim, nota-se que a autora possui um grande conhecimento do mundo infantil e realmente procura criar obras que serão adoradas e lidas repetidas vezes pelos pequenos.

 

Livros assim, que ajudam a despertar o interesse e também podem ajudar muito os professores a trabalharem temas diversos.

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Boa tarde, Andreia!

 

Conte-nos um pouco sobre você.

Sou uma apaixonada por literatura, principalmente a infantil. Além de escritora, sou bacharel em filosofia, poetisa e designer. Publiquei seis livros infantis e participei de muitas antologias poéticas, inclusive, em Portugal. Sou casada com o ilustrador Ed Soares e moramos no Rio de Janeiro.

Deve ser muito interessante ser casada com uma pessoa que atua profissionalmente em uma área conectada à sua. 🙂

 

Poderia falar sobre os livros que já publicou?

Publiquei seis livros infantis. Alguns muito fofos, como “Melina e as Borboletas Noturnas” (pela editora Panóplia, ilustrado pelo Ed Soares) e “Berenice, a Cacatua” (pela Katzen editora, ilustrado por mim). Em 2016, criei uma coleção para as crianças, com lendas pouco conhecidas do nosso folclore. Assim, nasceram os livros “A Velha Pisadeira”, “Corpo Seco” e “Quibungo” (todos pela editora Panóplia e ilustrados pelo Ed Soares). Meus livros infantis têm como características principais a poesia e o humor, além de pitadas de filosofia.

Muito interessante a sua proposta literária, trabalho com literatura infantil e sei a importância de trabalharmos o nosso folclore, especialmente quando nos deparamos com tantas crianças que sabem tão pouco da nossa cultura local. 

 

Em sua opinião, o mercado editorial brasileiro atua e reage diferente com a publicação de livros físicos e digitais?

Sim, com certeza observo uma diferença significativa no tocante à publicação de livros físicos e digitais pelo mercado editorial. Para começar, não temos dados consistentes de vendas de e-books. Parece que, no Brasil, nem o mercado editorial, nem os próprios leitores, conseguiram se adaptar – pelo menos ainda não – aos livros digitais.

 

O que você pensa sobre a publicação de livros infantis em formato de e-book?

Por experiência própria, posso dizer que livros infantis digitais não foram capazes de substituir os físicos. A procura é quase nenhuma. Tanto os pais, quanto as crianças, ainda preferem o livro tradicional. Talvez por causa das configurações visualmente muito atrativas, de diversos tamanhos e texturas, que o formato digital não é capaz de reproduzir.

Sim, as crianças que gostam de ler buscam constantemente histórias com ilustrações bem coloridas e os livros com dimensões maiores, esses fatores costumam representar a preferência geral.

 

Você acredita que as bibliotecas infantis deveriam ser mais receptivas aos livros digitais, ou é algo que não funcionaria?

Seria interessante ter acesso, também, aos livros digitais nas bibliotecas infantis. Pois a experiência virtual é completamente diferente. No entanto, talvez isso não aconteça porque a chamada para o mundo virtual já seja grande para criança e adolescente no dia a dia. Então, as bibliotecas resgatam esse contato com o papel.

 Sim, a biblioteca tenta resgatar não apenas o contato com o papel, mas construir o próprio hábito da leitura. Infelizmente, boa parte das crianças não possuem incentivo dentro de casa para a leitura. Muitos pais não gostam de ler, outros não possuem interesse, e tudo isso acaba sendo prejudicial para a criança. Mas, continuamos tentando incentivar, tanto filhos quanto pais.

 

O que você acha que vai acontecer com o mercado, diante dessa crise enorme com livrarias fechando e grandes redes entrando com processo de recuperação judicial? Qual seria a melhor maneira de lidar com a transformação do mercado?

O mercado está passando por uma grande transformação. As livrarias estão sendo forçadas a rever seus espaços físicos, sua forma de lidar com o leitor e também com os autores. Grandes livrarias parecem resistir devido à mudança em suas lojas, transformando-as, também, em locais de encontros e eventos, com cafés e, até, pequenos restaurantes.

 

Qual será o futuro dos escritores brasileiros?

Sinceramente, vejo um futuro bem democrático e acessível para o autor brasileiro. Hoje em dia, com tantas editoras e gráficas editoriais oferecendo a autopublicação e a publicação sob demanda, qualquer um pode realizar o sonho de ser escritor.

 

Como será o leitor brasileiro do futuro?

Pela grande quantidade de livros disponíveis no mercado e o acesso fácil à informação, o leitor brasileiro está ficando cada vez mais crítico e exigente. E isso tende a ficar ainda mais evidente com o passar do tempo.

 

Para você, existe literatura boa e ruim?

Sim, pra mim existe literatura boa e ruim, mas não em relação ao gênero ou estilo e sim à escrita. Só que essa classificação também é muito subjetiva e depende do gosto pessoal e nível de exigência de cada um. Até os “piores” livros podem encantar alguns leitores. Da mesma forma que os clássicos e consagrados, excepcionalmente bem escritos, não conseguem agradar a todos.

 Com certeza.

 

Agora, vamos comentar alguns gostos mais pessoais. Qual seu gênero literário preferido? E qual é o que menos gosta?

Sou bastante eclética, mas geralmente prefiro mais a fantasia. Não aprecio muito as biografias.

 Também não consigo gostar muito das biografias. Rs

 

Qual é o seu autor favorito?

Falar sobre um autor favorito é muito complicado pra mim porque, como eu aprecio vários gêneros, possuo praticamente um autor preferido em cada um deles. Na literatura infantil, por exemplo, amo Monteiro Lobato. No terror, Edgar Allan Poe. Na distopia, George Orwell. E por aí vai…

Grandes nomes…

 

Qual é o seu maior hábito de escrita?

Atualmente, meu maior hábito de escrita é escrever algo todos os dias. Nem que seja apenas um parágrafo.

 

Já está planejando seu próximo livro? Pode nos contar um pouco sobre o projeto?

Sim, tenho dois livros infantis para serem lançados. “Béé daqui, Béé dali”, pela editora Panóplia, que tem como personagem a menina Maria, que começou a contar ovelhas para dormir e foi surpreendida por algo mágico e “Corda, Cordão e Muita Imaginação!”, que está disponível atualmente como e-book, na Amazon, e terá, em breve, sua versão física, também pela editora Panóplia. Os dois serão lançados até junho deste ano.

 Espero que muitas crianças leiam e gostem!

 

Atualmente, qual é o seu sonho?

Viver somente da literatura. Seria pedir muito? (risos)

 Não, rs. Seria um sonho. 🙂 E acredito que é possível.

 

E para finalizar, indique-me um livro.

“O Ponto Cego”, de Lya Luft, foi uma das leituras que mais me tocaram. Principalmente pela extrema delicadeza e sensibilidade da autora ao tratar de um assunto tão denso. A obra é comovente, envolvente e memorável. Recomendo.

Vou anotar a sugestão. Obrigada pela dica.

Obrigada pela entrevista, Andreia! Foi bom conversar com uma pessoa que trabalha com livros infantis, e espero muito sucesso da nossa parceria que está começando. 

 

Trabalho diariamente com literatura infantil e através dos posts comentando seus livros, poderei expandir alguns assuntos do blog para outros temas que também são importantes para mim. 

 

A literatura tem a capacidade de transformar vidas, e acredito verdadeiramente no poder do hábito da leitura com as crianças. Em uma era digital como a que vivemos, é importante que as crianças aprendam a imaginar com as palavras, com o pensamento, que elas consigam desenvolver o senso crítico e a expressividade pessoal através da construção de seus próprios gostos. A leitura ajuda a infância em muitas coisas, seja na criatividade, na escrita, na fala e até na construção do pensamento. Espero que cada vez mais crianças percebam e valorizem o poder das palavras. 

 

Muito sucesso para você e que seus livros consigam aproximar pais e filhos durante os momentos de leitura.

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Boa tarde, Maurício!

 

Conte-nos um pouco sobre você.

Sou nascido em São Paulo, mas moro em Brasília. Além de escritor, sou roteirista e músico. Tenho 7 livros lançados e outros dois já mais ou menos escritos. Só tem uma coisa de que gosto mais do que livros: minha família.

Sim, a família é realmente importante.  🙂

 

Poderia falar sobre os livros que já publicou?

Publiquei 7 livros, 4 independentes e 3 por editoras. Os independentes foram “O Mundo de Vidro”, “Ainda não te disse nada”, “O rosto que precede o sonho” e “Dias melhores pra sempre”. Já os publicados por editoras foram “A máquina de contar histórias” (Novo Conceito), “Surpreendente!” (Intrínseca) e “Todo o tempo do mundo” (Astral Cultural). Agora em 2019 um dos independentes, o “Ainda não te disse nada” sairá pela Qualis Editora (provavelmente na Bienal do Rio), totalmente reformulado. O Surpreendente! foi lançado em Portugal, Itália, Espanha e Lituânia. Já o Todo o tempo do mundo sairá ano que vem na Alemanha.

Surpreendente é um livro incrível, Ainda não te disse nada é um livro que fala muito sobre empatia, e me inspirou a criar um dos projetos aqui do blog, e Todo o tempo do mundo é absolutamente tocante e envolvente; você construiu uma narrativa de viagem no tempo com um olhar reflexivo muito interessante. Mal posso esperar para ler suas outras histórias também… 

 

O que você pensa sobre o mercado editorial no Brasil? Existem oportunidades para novos escritores ou é um grupo mais fechado?

Acho que o Brasil ainda tem um potencial enorme para se transformar num grande mercado. Quando se observa que o nível de leitura ainda é baixo, isso significa que há espaço para crescimento, e com políticas corretas de incentivo à leitura, isso pode ocorrer. Não posso opinar muito sobre o “por dentro” das editoras, o porquê de escolherem determinados livros para lançar, quais suas estratégias de marketing e de vendas, porque não sei mesmo. Também não sei de números, ainda que saiba que há uma crise no mercado. Mas toda crise vai e vem. Uma hora essa vai acabar. E o que devemos fazer, como autores, é escrever cada vez mais. E acho que há oportunidade para novos autores, até porque eu mesmo sou egresso do mercado independente.

 

Em sua opinião, o mercado editorial brasileiro atua e reage diferente com a publicação de livros físicos e digitais?

São duas plataformas do, em essência, mesmo produto. Claro que as estratégias têm que ser diferentes, mas, ao que parece, a venda de livros físicos ainda é bem maior. Pelo que observo dos meus livros, isso é verdade. Talvez o brasileiro ainda não tenha se acostumado com a leitura digital. No fundo, não tenho muita preocupação com o “onde” a pessoa vai ler, desde que leia. E acho que as editoras ainda vão achar o pulo do gato para trabalhar melhor com o digital, é um caminho sem volta.

Sim, também torço para que os brasileiros leiam cada vez mais, esse é um dos objetivos principais do blog, incentivar essa atividade linda, prazerosa e inspiradora que é a leitura.

 

O que você acha que vai acontecer com o mercado, diante dessa crise enorme com livrarias fechando e grandes redes entrando com processo de recuperação judicial? Qual seria a melhor maneira de lidar com a transformação do mercado?

Só posso responder como escritor, e o que faço é continuar escrevendo. Não consigo imaginar o que virá depois, se vão abrir novas redes de livrarias, se vão todas acabar ou se ficaremos só com o digital. Quem vai dizer? Desde que o mundo é mundo contam-se histórias, e elas irão sobreviver.

 

Qual será o futuro dos escritores brasileiros?

Muitos amigos que começaram comigo já pararam. Ao mesmo tempo, novos escritores vão surgindo. O futuro vai se ajustar, as pessoas vão continuar escrevendo e consumindo histórias. Não acho que vá mudar. As oportunidades de aparecer são cada vez maiores, e quem contar boas histórias vai se sobressair. Sempre foi assim.

 

Como será o leitor brasileiro do futuro?

A competição com a internet é pesada. Vejo por minha filha pequena, a luta que tenho para incutir nela o gosto pela leitura. Acho que o leitor brasileiro do futuro será igual aos leitores do mundo todo no futuro, cada vez mais conectados. Puxando brasa para nossa sardinha, só espero que o leitor brasileiro leia cada vez mais literatura feita por brasileiros. Há muita gente boa contando histórias e muito preconceito ainda.

Essa é realmente uma questão que deve ser debatida com mais frequência, os brasileiros tendem a menosprezar um pouco a literatura nacional, considerando-a inferior às estrangeiras… Mas isso é um erro, nossa literatura possui muitas belezas, e existem escritores nacionais (antigos e novos) repletos de talento e de boas histórias.

 

Para você, existe literatura boa e ruim?

Acho que existem livros bem e mal escritos, e aqui falo de erros de gramática, de coesão, de estrutura narrativa, de histórias que se perdem e personagens pouco carismáticos ou relevantes. Já quanto aos gêneros, o gosto é de cada um, não posso julgar o que uma pessoa vai gostar ou não, porque não conheço intimamente ninguém, nem eu mesmo. Se um livro é um “romanção basicão” e toca as pessoas, por que esse livro seria literatura ruim? Ao mesmo tempo, aquele livro supercabeça que eu tento ler e não entendo nada, ou que no meio da página já estou pensando na morte da bezerra, por que seria considerado literatura boa?

Resumiu muito bem a questão de livros “bons” e “ruins”…

 

Agora, vamos comentar alguns gostos mais pessoais. Qual seu gênero literário preferido? E qual é o que menos gosta?

Gosto de drama. Romances dramáticos e românticos. Não curto muito livros de autoajuda.

 

Qual é o seu autor favorito?

Esta pergunta é impossível de responder… rsrsrs. Se for preciso apenas um nome, eu citaria eu mesmo, que é o autor que eu mais conheço, critico, de quem mais reclamo e cujas histórias são mais “minhas”! E agora que já achei um, restam-me Montaigne, Graciliano, Luís Fernando Veríssimo, Hemingway, Nick Hornby, Joel Dicker, Salinger…

 

Qual é o seu maior hábito de escrita?

Escrever diariamente, entre 5h00 e 9h00, com um leite bem quente e de fone no ouvido, sempre rock and roll.

 

Todo o tempo do mundo é um livro repleto de sensibilidade e amor, e tanto ele quanto Surpreendente! têm protagonistas que possuem algum problema de saúde, o que te motiva a cria-los assim?

Acho que o foco acaba sendo mais a superação de alguma questão. No caso do Surpeendente!, é a superação de algo físico mesmo (a cegueira). Já no Todo o Tempo do Mundo, é a superação de uma questão que não é um problema de saúde (a viagem no tempo). Isso de o personagem superar algo difícil, um obstáculo aparentemente intransponível, para mim é algo motivador na escrita. Eu tento me colocar na pele daquele personagem e viver intensamente o desafio. Acredito que os leitores acabem também “vestindo a sandália” e sentindo as angústias e as conquistas.

 

Você já está planejando o próximo livro? Pode nos contar um pouco sobre o projeto?

O próximo projeto é o relançamento do “Ainda não te disse nada”, que ocorrerá, ao que tudo indica, na Bienal do Rio de Janeiro, em 2019. É uma história que muita gente já gosta, mas que virá ainda mais forte. Quanto a um livro novo, estou escrevendo, mas não posso revelar exatamente o que é, pois estou tateando a história.

 

Atualmente, qual é o seu sonho?

Que tenhamos um país mais justo, menos desigual, em que as pessoas tenham mais solidariedade, empatia, respeito pelas opiniões dos outros, sem ódio, sem intolerância e desamor. Em que o amor vença a intolerância e o livro vença o revólver. Trocaria tudo que eu tenho por isso, pela felicidade de tanta gente que todo dia é massacrada nas esquinas por credo, raça, opção sexual ou política. Os sonhos que só me afetam não significam nada.

Sim… Vamos continuar escrevendo, conversando sobre literatura, incentivando novos leitores e assim, ajudando a construir um país do qual possamos nos orgulhar.

 

E para finalizar, indique-me um livro.

Vou indicar 4: Surpreendente!, Todo o tempo do mundo, A máquina de contar histórias e Ainda não te disse nada.

Vou tentar ler em breve os que ainda não tive oportunidade. 🙂

 

Muito obrigada pela conversa e pela objetividade para falar de temas mais leves e mais sérios. 

Desejo que 2019 seja um ano produtivo e construtivo para todos nós!

E que novas histórias, boas e envolventes continuem presentes em nossas vidas!

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Boa tarde, Guto!

 

Conte-nos um pouco sobre você.

 Sou formado em música e letras. Professor de música e violão clássico. Trabalho no projeto Guri em Lorena e Cachoeira Paulista. Tenho 41 anos, moro com minha esposa Olivia e minha filha Anna Luísa. Gosto de ler e ouvir música. Não tenho complexidades. Tento ser simples.

 

Poderia falar sobre os livros que já publicou?

São livros que falam de situações que gostaria que tivessem mais atenção das pessoas, da mídia. Sem pretensão alguma, não imagino que há vasta relevância no que escrevo, mas também acredito que não são assuntos que devemos relegar ao fantasioso, ao inverossímil.

 Já conheço alguns dos seus livros e posso garantir que possuem relevância sim! Mesmo com as características essencialmente ficcionais, a trama envolve o leitor numa reflexão sobre a importância das mídias e do pensamento crítico (que está faltando em muitas pessoas). Precisamos ler mais, ler bastante, e criticamente considerar todas as informações e notícias que recebemos. No mundo globalizado em que vivemos é relativamente fácil “criar” notícias falsas e distorcer informações. 

 

O que você pensa sobre o mercado editorial no Brasil?

Acho que tem muito o que crescer e aprender. Não falo em relação à novas mídias, como leitores eletrônicos ou celulares e tal, mas em relação ao pensamento do negócio em si. Como tenho uma experiência na indústria da música e, no fim, tudo é entretenimento. Acho que as grandes editoras, os grandes vendedores de livros nem sabem para quem estão vendendo (devem saber, mas não parece), erro cometido pelos empresários da música. Parece-me que as metas são sempre pensadas no “Efeito Manada”: Fantasia vende! Vamos publicar só livros de fantasia!! Esquece a fantasia! O que vende é hot! Hot já passou, a moda agora é New Adult! E atolam-se em milhares de títulos genéricos de histórias cheias de clichês e que cansam, provocando um tédio no leitor e transformando um monte de livros em um exército de capas que caem no esquecimento. Lembra quando sertanejo era moda e apareciam duzentas duplas caipiras? Ou a época do pagode e nos milhares de grupos parecidos? A gente se cansa da mesmice. O clichê nos conforta quando uma coisa se resolve e acalma nossa alma, mas a cada cinco páginas com uma princesa  salva ou duzentas mocinhas inocentes sendo seduzidas por empresários milionários com passado obscuro… Uma hora cansa. Aí, o empresário do ramo diz que brasileiro não lê.

 

Existem oportunidades para novos escritores ou é um grupo mais fechado?

Com as redes sociais acho que ficou mais fácil, não sei como era antes disso e nem como eu faria para desenvolver uma divulgação mais efetiva. Mas o olimpo, a grande mídia e tudo que poderia realmente impulsionar rapidamente a carreira de autores novos, ah… isso é para poucos; sortudos, talvez. Talentosos? Algumas vezes nem tanto.

 

Em sua opinião, o mercado editorial brasileiro atua e reage diferente com a publicação de livros físicos e digitais?

Acho que depende do leitor mais do que dos editores ou vendedores. Se todo mundo migrasse para o digital e desse lucro, livro físico seria obsoleto como o CD, o VHS, etc. E os empresários ficariam felizes, mas o livro ainda consegue ganhar do e-book. Os leitores nem chamam de “livro eletrônico”, se referem ao Livro-eletrônico (e-book) como PDF, como se fosse outra coisa, como se fosse menor, defeituoso: “Você tem o livro? Não, só o PDF.” Ué? Mas não é o mesmo conteúdo? A mesma história? “Só” o PDF? Aí o leitor responde: Ah… É diferente… Acho que isso que os empresários não entendem. Seria muito mais fácil trabalhar só com e-book. Mas há essa resistência romântica dos leitores. Resistência que acho ótima e concordo plenamente.

 

O que você acha que vai acontecer com o mercado, diante dessa crise enorme com livrarias fechando e grandes redes entrando com processo de recuperação judicial?

Vai reagir e se adaptar. Não vão perder dinheiro. Qualquer mercado passa por transformações e se regula. Não tenho medo de acabar. Tenho medo da Amazon. Acho que ela pode destruir a concorrência e depois, ao monopolizar o mercado, aumentar preços e acabar com essa alegria de leitores comprando dez livros por mês, gastando relativamente pouco. Um livreiro me disse que ela fez isso na Austrália: entrou no país, destruiu a concorrência e aumentou os preços.

 

Qual seria a melhor maneira de lidar com a transformação do mercado?

Estudar o perfil do consumidor de livros, entender o quanto ele está disposto a gastar com livros, aumentar o número de leitores com campanhas em escolas de nível fundamental, tentar diminuir custos, impostos, etc. E vender um produto que realmente você queira comprar. Acho que independente de qualquer estudo ou planejamento, as pessoas não devem ser tratadas como gado confinado que como o que cai no cocho. Sempre ouvi: “Não compro mais livros porque são caros.” Então vamos abaixar o preço! Então talvez o problema seja esse: o preço. Mudem o modelo na relação Editora x Loja (porque aí que está o problema) que leitores temos muitos e ávidos.           

 

Qual será o futuro dos escritores brasileiros?

Se depender da minha vontade será maravilhoso! Existem muitos, mas muitos mesmos. Todos em busca de uma oportunidade, de alguém que leia e ajude a divulgar.

 

Você aborda temas polêmicos, históricos e políticos nos seus livros. Diante disso, você considera que ainda existe preconceito com o gênero literário que você publica?

Um pouco, mas nada que não consiga mudar com cinco minutos de conversa.

 

O que você diria aos leitores que têm preconceito?

Que só podemos falar bem ou mal se lermos o livro em discussão. Claro que se o tema não lhe agrada, não entendo como preconceito, por se tratar de algo que já lhe causou estranheza em experiência anterior; mas não ler por simplesmente achar que talvez não seja do seu agrado, acho um argumento raso. Não tem como prever se vai gostar ou não. Tem que ler!

 

Como será o leitor brasileiro do futuro?

Vixe, se for pela maioria, só vai ler manchete de notícias e a sinopse ou resenha no Youtube ou Instagram. Mas tenho esperança que aprofundem mais, que saiam da zona de conforto, que entendam que a aventura literária é muito mais rica e diversa que imaginam. Ler traz informação, conforta, cura, dá ideias, melhora nossa imaginação, aprimora o pensar crítico, criativo.

 

Para você, existe literatura boa e ruim?

Não. Só separo em gostei e não gostei. Porque há a subjetividade de cada um. E assim, subjetivamente, relativiza o resultado literário. O contexto é fundamental nesse momento. O contexto vai dizer se eu gostei ou não. Mas não podemos classificar ou rotular. Isso só atrapalha a experiência. Há muitos aspectos nessa análise. Aspectos sociais, históricos, antropológicos. E se pensarmos na antropologia, a ramificação do estudo estético cria milhares de possibilidades. Mas no fim o afetivo é o que fala mais alto. Quem não lembra do primeiro livro que leu, ganhou, emprestou? Era bom? Era ruim? Para mim sempre será maravilhoso.

 

Agora, vamos comentar alguns gostos mais pessoais. Qual seu gênero literário preferido?

Olhando para minha estante deveria falar que gosto de espionagem, guerras e históricos. Mas a fantasia e a ficção científica são os gêneros preferidos.

 

E qual é o que menos gosta?

Terror. Só tenho Drácula, Frankenstein e Médico e o Monstro por que são clássicos.

 

Qual é o seu autor favorito?

Tolkien e Marcos Rey.

 Não dá pra escolher apenas um, não é mesmo? Rs.

 

Qual é o seu maior hábito de escrita?

Planejar toda a história e anotar em cadernos. Tudo escrito a mão. Após um estudo de possibilidades, sento em frente ao computador e escrevo até não encontrar saída. Isso sempre a noite e depois de pensar exaustivamente no que gostaria de ler.

 

Já está planejando seu próximo livro?

Sim. Tenho uma fantasia (Crônicas Bárbaras) em andamento. O terceiro volume da série Conspiração também em andamento e pensando ainda se o Cenas de Um Crime vai ou não ter continuação.

 

Pode nos contar um pouco sobre o projeto?

O terceiro volume da série Conspiração vai dar respostas ou não para todo o mundo de possibilidades que criei no segundo livro (A Ascensão do IV Reich), entretanto não tem como falar sem dar spoilers. Crônicas Bárbaras é minha homenagem a Tolkien, é um caminho natural. Tolkien é um modelo de autor para mim. É o que me motiva e faz escrever. O Cenas me criou um problema, porque são tantas histórias e possibilidades que não sei como vai cair no coração dos leitores. E acho que eles que vão decidir se continuo ou não.

 

Atualmente, qual é o seu sonho?

Antes, vinte e cinco anos atrás o sonho era viver de música e da música. Agora é viver da literatura. Poder dedicar tempo integral ao trabalho de escrever, criar, ler… Acho que está próximo.

 

E para finalizar, indique-me um livro.

Os meus, claro!

Todos do Tolkien, até rascunhos se encontrar. Todos de Philip K. Dick que também é um monstro, acho incrível. Mas isso só depois de você ler toda a série Vagalume e todos os clássicos brasileiros. Viva a literatura nacional! Impossível indicar um só!

Li muitos da série Vagalume na época da escola, e os do Tolkien já estão na minha lista, especialmente a trilogia Senhor dos Anéis (que está nas metas de 2019). Portanto, vou acrescentar Philip K. Dick na minha lista. 🙂

 

Guto, obrigada pela conversa, por mostrar as suas opiniões sobre assuntos tão importantes para a literatura nacional e também por falar sobre os seus livros. 

Espero que cada vez mais pessoas leiam e discutam os diversos temas abordados nos livros, especialmente nos seus sobre história, notícias e senso crítico.

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Trechos

 

“Viveria em dobro os momentos de felicidade, e aceitaria que o fardo dos momentos de tristeza seria mil vezes mais pesado que o normal.”

 

” – Felicidade é… matemática pura: um nobre objetivo de vida, mais momentos memoráveis, mais saúde; multiplicamos o resultado por viajar o mundo e dividimos as conquistas com amigos de verdade. O resultado a gente eleva ao quadrado.”

 

“E um súbito desejo ressurgiu, o de que o destino não tivesse sido tão cruel e ela pudesse, naquele instante, estar viva e deitada em algum lugar do mundo, também pensando em mim.”

 

” – Querida, a felicidade só gruda na pele de quem aposta todas as fichas em algo que não pode ser nada menos que perfeito.”

 

“É por isso que sempre digo: o melhor lugar do mundo é aquele em que você está neste momento. O importante é o aqui e o agora.”

 

“Nesse momento, antes de conseguir ler o que você tinha escrito, fui invadido por uma felicidade tão absurda, tão inexplicável, que provocaria o big bang que mudaria de vez as regras do meu jogo e desencadearia a coisa mais fantástica, diferente, estranha e inacreditável que alguém já deve ter experimentado na vida.”

 

“A vida é apenas uma, e não há de ter coisa pior do que chegar ao fim dela, olhar pra trás e só então perceber que você deixou de fazer algo que poderia ter sido a sutil diferença entre uma vida normal e uma incrível.”

 

“Felicidade é viver a verdade que mora no fundo de seu peito, aquela que ninguém jamais vai conseguir arrancar de você.”

 

“Em pé, diante de mim, estava a única pessoa capaz de me salvar de cada reviravolta que a vida seguia insistindo em me impor, e finalmente revirar do avesso meu destino e direcioná-lo para algum tipo de final feliz.”

 

“Felicidade é a certeza de que nossa vida não está passando inutilmente.”

 

“A reconquista da paixão de uma vida, as emoções que nunca havia experimentado e o sorriso constante vinham sendo motivos recorrentes para regressos no tempo.”

 

“No entanto, as melhores coisas da vida são justamente aquelas que não fazem o menor sentido.”

 

“O sentimento que nos trouxe ao mundo e nos guiará até o fim é o amor. Amor pelo igual, pelo diferente, pelo desconhecido ou inesquecível. Amor por um momento, um sorriso, uma palavra que fez toda a diferença, pois dita na hora certa. Amor até pelo que doeu, porque você saiu dali uma pessoa melhor. Amar é, no fim das contas, uma missão.”

“Felicidade é uma sequência de segundos que a gente deseja que dure pela eternidade.”

 

“Adoraria que aquilo fosse apenas consequência do tanto que eu amava minha família, a vida, os amigos e o trabalho, mas a realidade nunca haveria de ser tão poética.”

 

“Espero que não, porque o que mais desejo é amar intensamente minhas felicidades apenas uma vez e sofrer minhas tristezas aqui e agora.”

 

“A felicidade é bemol. A tristeza, sustenido. Todo mundo tem um segredo…”

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Leandro nunca imaginou que um livro pudesse trazer tantos problemas para a sua vida, mas ao escrever um livro sobre conspiração envolvendo o nazismo, ele se vê cercado por um mundo sombrio, que nem de longe compreende.

 

Ameaças, investigações, parece que muitas pessoas estão tentando controlar seus passos e isso é absurdamente assustador, além de ‘não fazer o menor sentido’ ele é “apenas” um escritor…

 

Retomando um pouco depois do final de Conspiração Nazi, essa sequência da narrativa promete ser eletrizante, envolvendo ameaças e conspirações que demonstram abarcar muito poder e controle.

 

Até onde as pessoas vão pela sede de poder?

 

Até onde deve-se ir pela busca da verdade?

 

E afinal, será que a verdade possui “lados”?