Fala Werneck

desconcertos

 

Trechos

 

“Ela, nada me disse, apenas me permitiu fechar aquele livro sem remorso, a sua história, na esperança de que eu, um dia, pudesse contar a nossa, como faço agora, mas soube que, apesar de tudo e todos, eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios.”

 

“Vivia de imagens, gravava uma a uma em sua mente como um baú de memórias, criava suas lembranças como um roteiro de um filme, e sentia cada momento das fotos como se tudo que viu se fizesse presente a todo momento.”

 

“Ele era só mais um que abrira mão do seu sonho para sustentar o dos outros.”

 

“Ali, sentia a efemeridade do mundo em todas as suas vertentes. Os carros apressados, as pessoas desinteressadas, os espíritos cansados fingindo ser felizes em corpos cuja única função na Terra era acumular riqueza material.”

 

“[…] se ainda mantinha em sua biblioteca aquele livro que ele lhe deu na esperança de que ela se lembrasse dos dois a cada momento em que lesse sobre o amor do príncipe por sua rosa.”

 

“As pessoas que frequentavam aquela praça sabiam da importância daquela amizade que ocupava apenas trinta minutos da manhã, mas que fazia surtir efeito durante todo o dia.”

 

“Suas músicas eram, além de simples músicas, gritos de socorro que todos cantavam em coro na esperança de que alguém os ouvisse e os entendesse.”

 

 

desconcertos

 

Edição Independente.

Páginas: 138.

 

Só quem vive sabe

 

A vida não é simples para ninguém, cada um tem seus próprios desafios.

Neste livro de contos teremos personagens que vivenciam as mais diversas dificuldades: amores perdidos, amores que a vida não permitiu viver, sonhos despedaçados; vidas que acabam muito cedo e pessoas que parecem partir sem ter terminado o que vieram fazer.

 

Esse não é um livro leve e feliz; ele é cruelmente realista, sendo praticamente impossível o leitor não se emocionar com as verdades que os contos gritam.

Cada pessoa é de um jeito, cada vida é diferente, e ainda assim, tantos sofrem com as mesmas escolhas.

Mas só quem vive sabe o que é diariamente enfrentar seus demônios e suas dores. E mesmo em meio a tanta dor é possível encontrar afeto, amor e amizade nas relações humanas.

 

Viver é tomar decisões e conviver com elas; às vezes os sonhos podem não ter vez na vida de alguém, outras vezes a ânsia de ter tudo rapidamente consome e corrompe. Independentemente da forma, cada um pode escolher algo, mesmo que decisões mínimas, e isso mostra que mesmo enfrentando a vida em um mundo complicado, a gente pode tentar algo, pode experimentar coisas diferentes e descobrir sentimentos que nos ajudarão a seguir em frente.

 

Cada conto mostra algo importante e a relação entre vida e escolhas é intrínseca ao significado de SER humano.

Escolher significa tomar um rumo no presente e começar a direcionar um futuro.

Nada perfeito, porém que tem a possibilidade de ser especial.

Escolha bem e siga em frente.

desconcertos

 

O ser humano é difícil, confuso, “incompreendido”.

“Desconcertos” é um livro que reúne 21 contos.

 

O primeiro deles já é um soco no estômago; começa fazendo a gente lembrar, de uma maneira invertida, da música “Eduardo e Mônica”, mas termina gritando o quanto não conhecemos verdadeiramente o que a outra pessoa sente.

O segundo traz uma declaração singela que é arruinada pelas escolhas humanas.

O terceiro é de uma sensibilidade sutil e até dolorosa.

E o que dizer do quarto conto? O ser humano é confuso; simplesmente isso.

 

As nossas escolhas nos definem, nos transformam, invariavelmente, moldam o nosso futuro e determinam o nosso presente.

O ser humano é rápido para julgar entender o outro e condenar os atos alheios, mas não faz ideia das batalhas internas…

 

Muitos lidam com mais sofrimentos do que deixam transparecer, por isso tantas vezes o sorriso exige mais do que o movimento do rosto transmite.

Quantas lágrimas não são retidas para impedir que sentimentos intensos extravasem?

As escolhas geram os acertos e erros das nossas vidas.

 

E este livro falará sobre os encontros e desencontros, que escolhemos, que escolhem por nós, que vivemos.

Uma leitura que está me conquistando a cada página.

amaquinadecontarhistorias

 

Trechos

 

“Amor recontado entre as aberturas e fechamentos de capítulos, por quem cedeu à tentação de se entregar. Infinitas possibilidades de entendimento, inúmeras histórias em uma só.”

 

“O sentimento de perda de parte fundamental de sua vida chegava ainda mais devastador do que as cenas mais dramáticas descritas em suas histórias.”

 

“A criatividade já faz parte das suas entranhas.Você precisa, agora, aprender a organizar o caos e a transformar essa criatividade em algo que as pessoas amem.”

 

“Escrever se tornara um refúgio para a alma, o esconderijo para sentimentos que ele aprendera a não externar.”

 

“E a vida, por mais que uma quantidade enorme de pessoas acredite nisso, não é feita de métodos, fórmulas, dicas ou listas de recomendações. Ela é feita de sentimentos pelas pessoas que estão ao lado, ou por aquelas que estão longe, mas que, só por pensarem na gente, já fazem toda a diferença.”

 

Carinho, só carinho. Ela não precisa de mais nada na vida…

 

“O importante é tentarmos, seja com o absoluto domínio das técnicas ou com a mais singela das emoções, colocarmos numa tela de pintura, ou numa tela do computador, as almas de nossas histórias.”

 

“No fundo, as pessoas não compram autores, não compram livros. Compram a emoção que a história promete proporcionar. O que cada leitor quer é, durante a imersão no mundo criado pelo escritor, esquecer-se dos problemas, angústias e tragédias do dia a dia.”

 

“A vida é uma jornada com começo, meio e fim. Cada pessoa é o herói de sua própria caminhada.”

 

“A promessa feita certa vez por Vinícius, esquecida no tempo e nunca mais cobrada pela filha, era finalmente cumprida: Valentina passearia pelas ruas da cidade onde viveram tantos autores maravilhosos; onde foram contadas tantas inesquecíveis histórias; onde moraram, passaram ou morreram algumas das personagens mais marcantes da literatura mundial.”

 

“É um desafio gostoso tentar fazer os leitores virarem a última página do seu livro envoltos em uma sensação de perda, de abandono e saudade das pessoas inventadas por você.”

 

“- Gosto da ideia de saber que a forma como enxergamos as coisas é fruto do tanto que a gente aprendeu até ali.”

 

 

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O amor tudo supera?

 

Algumas vezes na vida podemos fazer escolhas das quais iremos nos arrepender, é isso que acontece com Vinícius, personagem principal da história. Quando a família mais precisa dele, em um momento de dor inimaginável, ele não está presente.

 

A ausência dele é sentida pela esposa e pelas filhas, principalmente a mais velha.

A narrativa segue mostrando as consequências da ausência e os danos acarretados por isso.

Mas, a medida que a leitura segue, acompanhamos a mudança do personagem, a transformação da sua visão do que importa na vida dele e quem importa.

 

O tempo perdido nunca volta, mas o amor não está perdido enquanto acreditarmos e lutarmos.

Vinícius precisará de coragem para mudar sua vida e tentar recuperar o amor das filhas.

Além de alterar sua vida pessoal, a jornada lhe mostra que existe mais em sua carreira do que ele enxergou até agora.

 

Mudar não é fácil nem simples, muitas vezes durante o percurso a vontade de desistir é enorme; mas, em essência, o ser humano que é movido pelo amor consegue superar os percalços da vida.

 

O amor pode nos fazer sentir demais, mas ele nos ajuda a superar tudo. Porque o amor constrói, fortifica, unifica e floresce.

Todo ser humano tem a capacidade de ser uma máquina de contar histórias, mas na “máquina” humana essas histórias precisam vir do coração.

 

amaquinadecontarhistorias

 

Todos nós somos seres falhos, e esse livro tem como personagem principal um homem que valorizou tanto a carreira e o sucesso, que “esqueceu” a importância da família e do amor.

 

A vida lhe dá um choque de realidade quando a esposa dele morre e ele nem estava por perto, estava em mais um lançamento de livro.

Ao constatar que perdeu a oportunidade de estar ao lado da esposa quando ela mais precisou, ele também percebe que pode estar destruindo o relacionamento com as filhas, principalmente a mais velha.

 

Algumas pessoas são tão egoístas e autocentradas que demoram a notar o tempo que estão perdendo, até que seja tarde demais.

Mas nem tudo está perdido, ele ainda pode tentar reconquistar o amor da família. Será que conseguirá?

 

Será que ele será capaz de deixar de lado esse anseio pelo sucesso e pelas “histórias perfeitas” para viver a realidade cotidiana, familiar, que não possui roteiros?

 

Essa é mais uma história do Maurício, que mal começo a ler e já quero descobrir tudo sobre esse personagens e para onde a vida os levará.

 

aniversariofalawerneck

 

Hoje o blog está fazendo 4 anos!

4 anos que tirei um projeto antigo do papel e comecei a falar de literatura por aqui. (Além dos filmes e séries também.)

 

Mais de 600 fotos no Instagram e mais de 300 posts no blog…

Muitos aprendizados, tantas conversas boas e leituras que eu não imaginaria serem tão incríveis!

 

Por isso, hoje venho aqui agradecer a todos vocês que me acompanham, que indicam livros surpreendentes e séries inesquecíveis.

Obrigada também aos autores parceiros pela confiança e por trazerem ao mundo histórias únicas!

 

Que muitos outros anos venham e que o aprendizado continue sendo uma constante na vida de todos nós.

 

Um beijo no coração!

entrementes

 

Trechos

 

“E Dona Enedina balança novamente a cadeira ao seu lado, a tatear instintivamente a mão que não mais existe, a não ser nos destroços de sua cansada memória.”

 

“Nunca mais souberam dele, se navegou ou naufragou no mar das possibilidades.”

 

“O agir da ação do tempo havia se encarregado de preencher com pequenas aberturas as paredes do velho casebre onde o rapaz morava desde que nasceu.”

 

“Um veredicto. Por isso é tão estranho quando se tem um tempo estimado para acontecer, quando se sabe o tempo que se tem, ou, melhor dizendo, que não se terá mais.”

 

“Era uma segunda leitura, dois anos depois da primeira, portanto era um novo livro, bem como um novo João.”

 

“O travesseiro é o maior agente punidor do homem.”

entrementes

 

Vida comum

 

A gente pode dizer que a vida é incrível, que ela pode ser extraordinária; mas todo mundo sabe que na maior parte do tempo ela pode ser apenas simples, para alguns será sempre simples. E não há nada de errado nisso.

A vida “comum” é mais do que suficiente, se você souber aproveitá-la.

 

A simplicidade pode ser transformadora, e é sobre isso que o autor fala nestes contos: vidas simples, pessoas que trabalham muito, existências que não entrarão para os livros de História, mas que podem nos ensinar muito.

Através de histórias que mostram vidas “reconhecíveis” em qualquer lugar, Marcio nos fala de amor, companheirismo, respeito, família, amizade, senso crítico e consciência.

Se alguém estivesse nos contando estas histórias, nós acreditaríamos que elas eram reais.

 

Além dessa capacidade de falar de maneira realista, o autor faz descrições que nos permitem visualizar os locais, onde tudo acontece, com muita facilidade.

Em um mercado literário focado no entretenimento que mostra histórias repletas de perfeições ou surrealismos, a obra de Avelino se destaca pela sua singularidade, tanto na escrita quanto nas narrativas dos 14 contos.

 

Falar da vida é fácil, falar de histórias que poderiam ter acontecido com o nosso vizinho é espontâneo; mas contar essas histórias de uma maneira envolvente, não é tão simples assim.

Por isso, leia, reflita, vivencie através dos livros tantas coisas diferentes.

Conheça a mulher que sente falta do marido, o criminoso que não é culpado, o rapaz que vê sua vida interrompida por um diagnóstico, o estudante que sofre por algo que foi um equívoco linguístico; muitas vidas, muitos momentos.

 

Uma obra que é uma homenagem ao povo brasileiro; um povo que é grande, diferente, simples e especial.

entrementes

 

Livros são incríveis, alguns nos surpreendem pela elaboração de seus mundos e personagens; outros, nos impactam pela capacidade de construir algo belo com personagens simples do nosso próprio mundo. Os primeiros contos que li neste livro são assim, belos na simplicidade da vida.

Fiquei surpresa com a capacidade do autor de fazer descrições que nos permitem praticamente visualizar tudo que está acontecendo nas histórias.

 

A vida, por mais simples e comum que possa ser, é incrivelmente singular.

Conseguimos sentir a solidão e o desamparo da senhora que perdeu seu marido, seu companheiro de vida; nada mais transparente quanto a esta solidão do que a cadeira de balanço dele vazia ao lado da dela. Cadeiras que tinham uma sincronia, representando amor; mas a vida, cruel em sua realidade, quebras isso; a morte, por outro lado, iguala novamente o balanço.

É possível sentir a desolação do pai que precisou vender suas terras, na narrativa contada pelo filho. As injustiças fazem parte do cotidiano de muitas pessoas, nas fazendas o desgaste é mais pesado porque o sol é inclemente, sugando a força e a vontade dos trabalhadores, dia após dia.

Já ‘O aviso da morte’ fala mais do que isso, propriamente. Falar de morte é difícil e, quando se trata de alguém íntimo, doloroso. Às vezes a morte pode “avisar” que está chegando, outras vezes ela surge num piscar de olhos; mas nunca pode ser definida pelos outros. Ela pode causar tristeza, indiferença, alívio e muitos outros sentimentos. No entanto, o conto também comenta sobre as diferenças linguísticas que existem no nosso país; cada região possui particularidades no modo de se expressar, por isso equívocos podem acontecer e confundir alguns. Nossa língua é vasta e bonita, suas regionalidades são surpreendentes e até alguns hábitos das pessoas nas cidades interioranas nos surpreendem até hoje.

 

O Brasil é imenso em suas variantes linguísticas e culturais. E num meio literário que enfatiza a perfeição, o sucesso e o máximo das conquistas “possíveis”; um livro que trata do cotidiano simples e aborda a vida de pessoas que passam dificuldades  em meio ao trabalho braçal e à luta diária pelo bem da família; representa uma obra diferenciada.

 

Li três contos até agora e já pude refletir sobre tantas coisas…