Fala Werneck

desconcertos

 

Edição Independente.

Páginas: 138.

 

Só quem vive sabe

 

A vida não é simples para ninguém, cada um tem seus próprios desafios.

Neste livro de contos teremos personagens que vivenciam as mais diversas dificuldades: amores perdidos, amores que a vida não permitiu viver, sonhos despedaçados; vidas que acabam muito cedo e pessoas que parecem partir sem ter terminado o que vieram fazer.

 

Esse não é um livro leve e feliz; ele é cruelmente realista, sendo praticamente impossível o leitor não se emocionar com as verdades que os contos gritam.

Cada pessoa é de um jeito, cada vida é diferente, e ainda assim, tantos sofrem com as mesmas escolhas.

Mas só quem vive sabe o que é diariamente enfrentar seus demônios e suas dores. E mesmo em meio a tanta dor é possível encontrar afeto, amor e amizade nas relações humanas.

 

Viver é tomar decisões e conviver com elas; às vezes os sonhos podem não ter vez na vida de alguém, outras vezes a ânsia de ter tudo rapidamente consome e corrompe. Independentemente da forma, cada um pode escolher algo, mesmo que decisões mínimas, e isso mostra que mesmo enfrentando a vida em um mundo complicado, a gente pode tentar algo, pode experimentar coisas diferentes e descobrir sentimentos que nos ajudarão a seguir em frente.

 

Cada conto mostra algo importante e a relação entre vida e escolhas é intrínseca ao significado de SER humano.

Escolher significa tomar um rumo no presente e começar a direcionar um futuro.

Nada perfeito, porém que tem a possibilidade de ser especial.

Escolha bem e siga em frente.

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Casamento

 

A vida de ninguém é perfeita, muito menos seus casamentos.

A vida a dois pode ser muitas coisas: empolgante, carinhosa, animada, relaxante. Mas também pode ser: irritante, estressante, angustiante.

Conviver não é simples e conviver bem, pode dar bastante trabalho em alguns momentos.

 

Este livro irá mostrar o brilho do início de um casamento, mas também as dificuldades de uma longa vida a dois.

Às vezes os focos se tornam um pouco diferentes e a sintonia perde a harmonia.

Todo mundo é humano, todo mundo tem falhas. Não há quem possa dizer que sempre soube como expressar o que sente.

 

A obra fala mais do que sobre o casamento, fala de família, de amor; fala de tentar.

Uma história que vai aquecer o seu coração e também parti-lo ao meio. Mas vocês já sabem que os livros da Colleen são assim…

Depois de ler esse livro acredito que todo casamento deveria ter uma caixa daquelas. Porque o momento de parar e verdadeiramente analisar a jornada é algo importante.

 

Viver bem com outra pessoa exige amor, carinho, atenção, compreensão, muita aceitação e equilíbrio. É preciso que cada um lebre porquê vale a pena e o que realmente vale a pena.

As tempestades podem surgir sem que ninguém note sua formação, todavia é preciso enfrentá-las. Não adianta fingir que elas não estão lá, do contrário elas irão dizimar tudo.

Por isso, tenha em mente que nada, nem ninguém, é perfeito.

 

Lembre-se de iluminar as partes boas, suas e dos outros.

Talvez assim as coisas se ajeitem.

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O amor tudo supera?

 

Algumas vezes na vida podemos fazer escolhas das quais iremos nos arrepender, é isso que acontece com Vinícius, personagem principal da história. Quando a família mais precisa dele, em um momento de dor inimaginável, ele não está presente.

 

A ausência dele é sentida pela esposa e pelas filhas, principalmente a mais velha.

A narrativa segue mostrando as consequências da ausência e os danos acarretados por isso.

Mas, a medida que a leitura segue, acompanhamos a mudança do personagem, a transformação da sua visão do que importa na vida dele e quem importa.

 

O tempo perdido nunca volta, mas o amor não está perdido enquanto acreditarmos e lutarmos.

Vinícius precisará de coragem para mudar sua vida e tentar recuperar o amor das filhas.

Além de alterar sua vida pessoal, a jornada lhe mostra que existe mais em sua carreira do que ele enxergou até agora.

 

Mudar não é fácil nem simples, muitas vezes durante o percurso a vontade de desistir é enorme; mas, em essência, o ser humano que é movido pelo amor consegue superar os percalços da vida.

 

O amor pode nos fazer sentir demais, mas ele nos ajuda a superar tudo. Porque o amor constrói, fortifica, unifica e floresce.

Todo ser humano tem a capacidade de ser uma máquina de contar histórias, mas na “máquina” humana essas histórias precisam vir do coração.

 

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Memórias

 

A dor precisa ser lembrada, para que o sofrimento não seja repetido.

 

‘Herdeiras do Mar’ é um livro que vai falar sobre mulheres que tiveram suas vidas transformadas pela guerra. Mulheres que foram levadas e usadas para satisfazer desejos vis de homens brutos.

 

A história é narrada alternadamente pelo ponto de vista de duas irmãs, em períodos históricos diferentes.

Um livro tocante sobre o sofrimento inimaginável pelo qual tantas mulheres passaram.

 

A gente sabe das atrocidades das guerras, e atualmente temos muitos relatos de sobreviventes, como os do Holocausto. No entanto, nunca tinha ouvido falar das “mulheres de consolo”: jovens coreanas que eram levadas contra a sua vontade para esse destino incerto e bárbaro.

 

Por isso esse livro é importante. Ainda que seja uma ficção, ele mostra a importância de não permitirmos que a história dessas mulheres seja esquecida.

Elas merecem ter sua jornada registrada, para que a humanidade reconheça seus erros e busque não repeti-los.

Elas merecem ser lembradas pela sua força, resistência, persistência e esperança. As herdeiras do mar, especialmente, por serem mulheres fortes que se arriscam diariamente para garantir o sustento próprio e da família; mulheres que enfrentam os perigos do mar, suas correntezas incertas e sua força impactante.

 

Na trajetória dos registros históricos, muitas vezes as mulheres eram “simplesmente” esquecidas, suas vivências na guerra e suas batalhas (que nem sempre são no front).

Mas agora elas têm conseguido deixas suas memórias registradas, elas têm conseguido obter a própria voz. E assim, mostrar do que são capazes e tudo que já enfrentaram.

 

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Vazio das ilusões

 

O sofrimento humano pode ser muito amplo e envolver diferentes situações.

As guerras criam muita destruição, muita angústia e podem continuar afetando as pessoas mesmo depois de anos que ela acabou.

 

A história do livro acompanha a vida de uma jovem que vê seus sonhos e suas ilusões serem destruídos  pela crua realidade da vida em meio à pobreza, de roupas e de comida.

Ainda que a jovem esteja cursando o ensino superior, ela é imatura e demora para aprender a lidar com as diferentes pessoas da sua família que vivem na casa onde ela mora agora.

 

Cada pessoa parece ter uma peculiaridade, algo estranho; mas a medida que a narrativa segue seu curso, percebemos como as camadas dos personagens são construídas em meio ao caos, à irritabilidade e à inconstância.

Não é simples compreender ou aceitar qualquer um deles; o convívio é sofrido e angustiante.

 

Nos momentos em que a Andrea tem dinheiro, ela gasta de maneira supérflua e inconsequente. Sofrendo por muitos dias depois. No entanto, quando chega o próximo mês, ela repete esse comportamento destrutivo. Talvez para compensar os dias sofridos, talvez para esquecer a dura realidade cotidiana.

 

Impulsos, fome, vergonha e tristeza. Quanta coisa o ser humano pode sentir e vivenciar em um local debilitado pela guerra civil e que tenta se reerguer, ainda que exista medo e apreensão.

 

‘Nada’ mostra como a vida pode ser penosa. Mas, ainda assim, existe espaço para a gentileza em pequenos gestos e para a luta por dias melhores.

 

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Vida comum

 

A gente pode dizer que a vida é incrível, que ela pode ser extraordinária; mas todo mundo sabe que na maior parte do tempo ela pode ser apenas simples, para alguns será sempre simples. E não há nada de errado nisso.

A vida “comum” é mais do que suficiente, se você souber aproveitá-la.

 

A simplicidade pode ser transformadora, e é sobre isso que o autor fala nestes contos: vidas simples, pessoas que trabalham muito, existências que não entrarão para os livros de História, mas que podem nos ensinar muito.

Através de histórias que mostram vidas “reconhecíveis” em qualquer lugar, Marcio nos fala de amor, companheirismo, respeito, família, amizade, senso crítico e consciência.

Se alguém estivesse nos contando estas histórias, nós acreditaríamos que elas eram reais.

 

Além dessa capacidade de falar de maneira realista, o autor faz descrições que nos permitem visualizar os locais, onde tudo acontece, com muita facilidade.

Em um mercado literário focado no entretenimento que mostra histórias repletas de perfeições ou surrealismos, a obra de Avelino se destaca pela sua singularidade, tanto na escrita quanto nas narrativas dos 14 contos.

 

Falar da vida é fácil, falar de histórias que poderiam ter acontecido com o nosso vizinho é espontâneo; mas contar essas histórias de uma maneira envolvente, não é tão simples assim.

Por isso, leia, reflita, vivencie através dos livros tantas coisas diferentes.

Conheça a mulher que sente falta do marido, o criminoso que não é culpado, o rapaz que vê sua vida interrompida por um diagnóstico, o estudante que sofre por algo que foi um equívoco linguístico; muitas vidas, muitos momentos.

 

Uma obra que é uma homenagem ao povo brasileiro; um povo que é grande, diferente, simples e especial.

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Culpa

 

Se você parar para pensar, todo dia é comum, cada dia é simplesmente comum; até que algo pavoroso ou incrível aconteça.

Os momentos que transformam tudo, que marcam,  podem durar apenas alguns minutos, ou ínfimos segundos; e, ainda assim, marcar alguém pelo resto da vida.

 

A culpa é corrosiva, destrutiva, ela consome e não traz benefícios. É preciso transformar a culpa em aprendizado, em perdão, em amadurecimento.

E este livro falará exatamente sobre isto, um dia comum, de churrasco entre amigos, no qual algo trágico acontece e todos eles mudam. Cada um tem um sentimento particular de culpa, cada um acredita que é parte do problema que aconteceu.

 

Quando finalmente descobrimos o que houve naquela tarde, o que transformou todos eles de uma maneira tão agressiva; compreendemos que todos nós podemos passar por algo assim, e acabar vivendo com tanta culpa também.

Além de notarmos como erros acontecem, como distrações ocorrem com todo mundo. Todos nós somos passíveis de erros e, em maior ou menor escala, cometeremos deslizes na vida. Não adianta tentar negar que somos seres que falham.

 

Ao constatar que todos podem errar, também percebemos que condenar é muito fácil, mas completamente hipócrita. Quem pode admitir com segurança que jamais deixaria algo assim acontecer? É impossível saber com certeza.

 

A autora, mais uma vez, constrói uma trama muito elaborada e sensível, na qual acompanhamos personagens realistas passarem por situações prováveis. Mas algo que permanece claro é a fatalidade da vida em deixar alguns segredos morrerem sem serem revelados, sim, existem coisas que as pessoas jamais descobrirão, existem verdades que serão enterradas com os mortos.

É “apenas” a vida.

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Você pensa em desistir?

 

A vida pode ser difícil, dura e incompreensível. Mas ela também pode ser linda e gratificante.

 

Amber é uma jovem que conhece e convive com esses dois lados, andando diariamente por esses dois mundos.

Ela passa muitas dificuldades com a mãe e acompanha as injustiças na escola.

No entanto, encontra tempo e força para animar velhinhos solitários e coreanas humildes.

 

Um livro que mostra o valor da força de vontade e da persistência.

Um história que “comprova” o ditado de “de grão em grão…”, “Água mole em pedra dura…”, expressando o porquê de não devermos desistir.

O motivo que deve nos motivar diariamente para tentar de novo, e de novo, e mais uma vez.

Porque as dificuldades virão, nós sabemos que o mundo não é perfeito e “cor de rosa”; mas se lutarmos, conseguiremos superar, resistir e persistir.

 

E a questão envolvendo a “pequena tarefa” que tentamos diariamente é que não sabemos quando a mensagem é absorvida, quando a percepção chega ou a mudança acontece. Talvez, um dia possamos perceber na exteriorização de uma atitude, mas talvez não.

Ainda assim, é preciso continuar forte e acreditar. Existem muitas coisas nas quais se pode acreditar, Amber acredita em JC, pode que ser que você acredite também (ou não), mas o importante é não deixar a esperança morrer.

 

A esperança em dias melhores, em pessoas melhores, em um mundo melhor.

Porque acredite, é possível ser muito melhor e fazer algo incrível.

Busque o extraordinário na sua vida e use esse olhar para ajudar o mundo a alcançar um nível inédito.

É possível. (Só não é fácil.)

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Você consegue encarar a verdade?

 

Grace é uma mãe, uma artista, uma esposa e uma vítima de uma tragédia que deixou marcas que nunca sairão de sua vida.

A vida dela vira de cabeça para baixo quando encontra uma foto antiga, de alguém que parece seu marido.

Começa assim uma busca implacável pela verdade, enquanto ela tenta descobrir tudo, precisa lidar com pessoas que querem enterrar a verdade a qualquer custo.

 

Acompanhando essa jornada o leitor pode refletir sobre segredos, mentiras, verdades ocultas e o que significa viver com alguém. Quantos segredos podem estar escondidos? Será que você realmente conhece as pessoas com quem vive?

E quando a verdade surge, também brota o questionamento: se a verdade fosse revelada antes, será que a vida dos envolvidos seria diferente? Será que menos gente morreria ou outras pessoas que seriam as vítimas dos crimes?

 

Atitudes motivadas por impulso podem gerar consequências trágicas e que se perpetuam como o efeito de uma peça de dominó caindo e derrubando outras peças também.

Mas tudo se “resume” às escolhas, ao que fazemos com a verdade e o rumo que decidimos tomar. Quando alguém opta por viver cobrindo um segredo, riscos enormes estão envolvidos.

Porém, quando a pessoa tenta ajudar outras e vive honestamente aquilo tudo, será que é possível julgá-la duramente? Até que ponto a culpa e o erro são as coisas mais importantes?

 

Algumas verdades precisam ser encaradas, outras não eliminam o sofrimento passado (e, às vezes, superado), será que todos conseguem encarar isso?

E você, já parou para pensar sobre o poder que as memórias têm na nossa vida? As memórias que permanecem e as que se desvanecem com o tempo e os traumas. Nossa mente é capaz de muitas coisas, e ainda assim, ela pode nos surpreender com o que nos esconde.

 

Independente dos pesadelos que possam surgir, faça escolhas que lhe permita ter a consciência tranquila e a paz de espírito para viver esse “mundo” que escolheu.

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Pessoas

 

Viver, conviver e aprender a lidar com as pessoas é algo progressivo, construído com o tempo. E imagine o tempo necessário para você aprender a lidar e conviver com as pessoas que moram com você…

Tiffy e Leon não se conhecem, e apesar disso, aprendem muito um sobre o outro de uma forma delicada e tocante. Ao lidar com a ausência do outro, mas a presença das coisas que caracterizam o outro, eles passam a entender quem é aquele “estranho” que mora no mesmo lugar; e acabam também encarando verdades sobre eles mesmos.

 

Leon é um homem tímido que se vê envolvido pela amizade com a Tiffy, uma mulher que ele conhece através dos post-its e das roupas coloridas que vê pela casa.

Eles demoram muitos meses para finalmente se encontrar e acompanhamos então a intimidade, construída por meses através de palavras escritas, duelar com a timidez gerada pela presença física, real, do outro.

As palavras são importantes na vida, elas constroem sentimentos, envolvem pessoas e confirmam emoções. Mas elas sozinhas não bastam, é preciso que a presença seja mais ativa e reativa. O toque, a energia, o despertar de sensações, tudo isso é necessário para fortalecer um relacionamento e levá-lo ao próximo nível.

 

O convívio com outra pessoa, que tem vivências e experiências diferentes das suas, é algo delicado; é preciso paciência, equilíbrio, saber ceder; porque, acredite, ceder é fundamental. Quem não sabe ceder não convive bem com os outros, ainda que exista diferença entre saber ceder em alguns momentos e ser passivo, submisso a tudo.

As pessoas possuem manias, suas personalidades extravasam através de suas ações, seus objetos, suas roupas. Existem pessoas alegres que expressam sua animação com roupas coloridas e combinações ousadas. Outras pessoas preferem passar pelos lugares de maneira mais discreta, e ainda assim, ambas podem brilhar.

 

Beleza é algo relativo, alguns se atraem por certas características que outras pessoas podem desconsiderar relevantes.

E em meio a esse emaranhado confuso que é a nossa sociedade moderna, o amor consegue surgir e resplandecer. Um sentimento que une, fortalece, motiva e inspira.

 

O amor te faz lutar batalhas que desafiam as “evidências”, como as que existiam contra o Richie. O amor te faz acreditar no bem, ainda que você tenha convivido com o mal por anos.

O amor nos faz crer novamente nas pessoas.

O amor ajuda na superação dos traumas.

O amor se sobrepõe a todos os problemas, ainda que o caminho não seja apenas de flores.

 

Porque se entregar de verdade a um amor puro basta, mesmo que sua coragem chegue “um pouco tarde”, ainda há tempo. É preciso tentar.