Fala Werneck

nada

 

Vazio das ilusões

 

O sofrimento humano pode ser muito amplo e envolver diferentes situações.

As guerras criam muita destruição, muita angústia e podem continuar afetando as pessoas mesmo depois de anos que ela acabou.

 

A história do livro acompanha a vida de uma jovem que vê seus sonhos e suas ilusões serem destruídos  pela crua realidade da vida em meio à pobreza, de roupas e de comida.

Ainda que a jovem esteja cursando o ensino superior, ela é imatura e demora para aprender a lidar com as diferentes pessoas da sua família que vivem na casa onde ela mora agora.

 

Cada pessoa parece ter uma peculiaridade, algo estranho; mas a medida que a narrativa segue seu curso, percebemos como as camadas dos personagens são construídas em meio ao caos, à irritabilidade e à inconstância.

Não é simples compreender ou aceitar qualquer um deles; o convívio é sofrido e angustiante.

 

Nos momentos em que a Andrea tem dinheiro, ela gasta de maneira supérflua e inconsequente. Sofrendo por muitos dias depois. No entanto, quando chega o próximo mês, ela repete esse comportamento destrutivo. Talvez para compensar os dias sofridos, talvez para esquecer a dura realidade cotidiana.

 

Impulsos, fome, vergonha e tristeza. Quanta coisa o ser humano pode sentir e vivenciar em um local debilitado pela guerra civil e que tenta se reerguer, ainda que exista medo e apreensão.

 

‘Nada’ mostra como a vida pode ser penosa. Mas, ainda assim, existe espaço para a gentileza em pequenos gestos e para a luta por dias melhores.

 

entrementes

 

Vida comum

 

A gente pode dizer que a vida é incrível, que ela pode ser extraordinária; mas todo mundo sabe que na maior parte do tempo ela pode ser apenas simples, para alguns será sempre simples. E não há nada de errado nisso.

A vida “comum” é mais do que suficiente, se você souber aproveitá-la.

 

A simplicidade pode ser transformadora, e é sobre isso que o autor fala nestes contos: vidas simples, pessoas que trabalham muito, existências que não entrarão para os livros de História, mas que podem nos ensinar muito.

Através de histórias que mostram vidas “reconhecíveis” em qualquer lugar, Marcio nos fala de amor, companheirismo, respeito, família, amizade, senso crítico e consciência.

Se alguém estivesse nos contando estas histórias, nós acreditaríamos que elas eram reais.

 

Além dessa capacidade de falar de maneira realista, o autor faz descrições que nos permitem visualizar os locais, onde tudo acontece, com muita facilidade.

Em um mercado literário focado no entretenimento que mostra histórias repletas de perfeições ou surrealismos, a obra de Avelino se destaca pela sua singularidade, tanto na escrita quanto nas narrativas dos 14 contos.

 

Falar da vida é fácil, falar de histórias que poderiam ter acontecido com o nosso vizinho é espontâneo; mas contar essas histórias de uma maneira envolvente, não é tão simples assim.

Por isso, leia, reflita, vivencie através dos livros tantas coisas diferentes.

Conheça a mulher que sente falta do marido, o criminoso que não é culpado, o rapaz que vê sua vida interrompida por um diagnóstico, o estudante que sofre por algo que foi um equívoco linguístico; muitas vidas, muitos momentos.

 

Uma obra que é uma homenagem ao povo brasileiro; um povo que é grande, diferente, simples e especial.

atequeaculpanossepare

 

Culpa

 

Se você parar para pensar, todo dia é comum, cada dia é simplesmente comum; até que algo pavoroso ou incrível aconteça.

Os momentos que transformam tudo, que marcam,  podem durar apenas alguns minutos, ou ínfimos segundos; e, ainda assim, marcar alguém pelo resto da vida.

 

A culpa é corrosiva, destrutiva, ela consome e não traz benefícios. É preciso transformar a culpa em aprendizado, em perdão, em amadurecimento.

E este livro falará exatamente sobre isto, um dia comum, de churrasco entre amigos, no qual algo trágico acontece e todos eles mudam. Cada um tem um sentimento particular de culpa, cada um acredita que é parte do problema que aconteceu.

 

Quando finalmente descobrimos o que houve naquela tarde, o que transformou todos eles de uma maneira tão agressiva; compreendemos que todos nós podemos passar por algo assim, e acabar vivendo com tanta culpa também.

Além de notarmos como erros acontecem, como distrações ocorrem com todo mundo. Todos nós somos passíveis de erros e, em maior ou menor escala, cometeremos deslizes na vida. Não adianta tentar negar que somos seres que falham.

 

Ao constatar que todos podem errar, também percebemos que condenar é muito fácil, mas completamente hipócrita. Quem pode admitir com segurança que jamais deixaria algo assim acontecer? É impossível saber com certeza.

 

A autora, mais uma vez, constrói uma trama muito elaborada e sensível, na qual acompanhamos personagens realistas passarem por situações prováveis. Mas algo que permanece claro é a fatalidade da vida em deixar alguns segredos morrerem sem serem revelados, sim, existem coisas que as pessoas jamais descobrirão, existem verdades que serão enterradas com os mortos.

É “apenas” a vida.

Fotor_157623916610115

 

Você pensa em desistir?

 

A vida pode ser difícil, dura e incompreensível. Mas ela também pode ser linda e gratificante.

 

Amber é uma jovem que conhece e convive com esses dois lados, andando diariamente por esses dois mundos.

Ela passa muitas dificuldades com a mãe e acompanha as injustiças na escola.

No entanto, encontra tempo e força para animar velhinhos solitários e coreanas humildes.

 

Um livro que mostra o valor da força de vontade e da persistência.

Um história que “comprova” o ditado de “de grão em grão…”, “Água mole em pedra dura…”, expressando o porquê de não devermos desistir.

O motivo que deve nos motivar diariamente para tentar de novo, e de novo, e mais uma vez.

Porque as dificuldades virão, nós sabemos que o mundo não é perfeito e “cor de rosa”; mas se lutarmos, conseguiremos superar, resistir e persistir.

 

E a questão envolvendo a “pequena tarefa” que tentamos diariamente é que não sabemos quando a mensagem é absorvida, quando a percepção chega ou a mudança acontece. Talvez, um dia possamos perceber na exteriorização de uma atitude, mas talvez não.

Ainda assim, é preciso continuar forte e acreditar. Existem muitas coisas nas quais se pode acreditar, Amber acredita em JC, pode que ser que você acredite também (ou não), mas o importante é não deixar a esperança morrer.

 

A esperança em dias melhores, em pessoas melhores, em um mundo melhor.

Porque acredite, é possível ser muito melhor e fazer algo incrível.

Busque o extraordinário na sua vida e use esse olhar para ajudar o mundo a alcançar um nível inédito.

É possível. (Só não é fácil.)

apenasumolhar

 

Você consegue encarar a verdade?

 

Grace é uma mãe, uma artista, uma esposa e uma vítima de uma tragédia que deixou marcas que nunca sairão de sua vida.

A vida dela vira de cabeça para baixo quando encontra uma foto antiga, de alguém que parece seu marido.

Começa assim uma busca implacável pela verdade, enquanto ela tenta descobrir tudo, precisa lidar com pessoas que querem enterrar a verdade a qualquer custo.

 

Acompanhando essa jornada o leitor pode refletir sobre segredos, mentiras, verdades ocultas e o que significa viver com alguém. Quantos segredos podem estar escondidos? Será que você realmente conhece as pessoas com quem vive?

E quando a verdade surge, também brota o questionamento: se a verdade fosse revelada antes, será que a vida dos envolvidos seria diferente? Será que menos gente morreria ou outras pessoas que seriam as vítimas dos crimes?

 

Atitudes motivadas por impulso podem gerar consequências trágicas e que se perpetuam como o efeito de uma peça de dominó caindo e derrubando outras peças também.

Mas tudo se “resume” às escolhas, ao que fazemos com a verdade e o rumo que decidimos tomar. Quando alguém opta por viver cobrindo um segredo, riscos enormes estão envolvidos.

Porém, quando a pessoa tenta ajudar outras e vive honestamente aquilo tudo, será que é possível julgá-la duramente? Até que ponto a culpa e o erro são as coisas mais importantes?

 

Algumas verdades precisam ser encaradas, outras não eliminam o sofrimento passado (e, às vezes, superado), será que todos conseguem encarar isso?

E você, já parou para pensar sobre o poder que as memórias têm na nossa vida? As memórias que permanecem e as que se desvanecem com o tempo e os traumas. Nossa mente é capaz de muitas coisas, e ainda assim, ela pode nos surpreender com o que nos esconde.

 

Independente dos pesadelos que possam surgir, faça escolhas que lhe permita ter a consciência tranquila e a paz de espírito para viver esse “mundo” que escolheu.

tetoparadois

 

Pessoas

 

Viver, conviver e aprender a lidar com as pessoas é algo progressivo, construído com o tempo. E imagine o tempo necessário para você aprender a lidar e conviver com as pessoas que moram com você…

Tiffy e Leon não se conhecem, e apesar disso, aprendem muito um sobre o outro de uma forma delicada e tocante. Ao lidar com a ausência do outro, mas a presença das coisas que caracterizam o outro, eles passam a entender quem é aquele “estranho” que mora no mesmo lugar; e acabam também encarando verdades sobre eles mesmos.

 

Leon é um homem tímido que se vê envolvido pela amizade com a Tiffy, uma mulher que ele conhece através dos post-its e das roupas coloridas que vê pela casa.

Eles demoram muitos meses para finalmente se encontrar e acompanhamos então a intimidade, construída por meses através de palavras escritas, duelar com a timidez gerada pela presença física, real, do outro.

As palavras são importantes na vida, elas constroem sentimentos, envolvem pessoas e confirmam emoções. Mas elas sozinhas não bastam, é preciso que a presença seja mais ativa e reativa. O toque, a energia, o despertar de sensações, tudo isso é necessário para fortalecer um relacionamento e levá-lo ao próximo nível.

 

O convívio com outra pessoa, que tem vivências e experiências diferentes das suas, é algo delicado; é preciso paciência, equilíbrio, saber ceder; porque, acredite, ceder é fundamental. Quem não sabe ceder não convive bem com os outros, ainda que exista diferença entre saber ceder em alguns momentos e ser passivo, submisso a tudo.

As pessoas possuem manias, suas personalidades extravasam através de suas ações, seus objetos, suas roupas. Existem pessoas alegres que expressam sua animação com roupas coloridas e combinações ousadas. Outras pessoas preferem passar pelos lugares de maneira mais discreta, e ainda assim, ambas podem brilhar.

 

Beleza é algo relativo, alguns se atraem por certas características que outras pessoas podem desconsiderar relevantes.

E em meio a esse emaranhado confuso que é a nossa sociedade moderna, o amor consegue surgir e resplandecer. Um sentimento que une, fortalece, motiva e inspira.

 

O amor te faz lutar batalhas que desafiam as “evidências”, como as que existiam contra o Richie. O amor te faz acreditar no bem, ainda que você tenha convivido com o mal por anos.

O amor nos faz crer novamente nas pessoas.

O amor ajuda na superação dos traumas.

O amor se sobrepõe a todos os problemas, ainda que o caminho não seja apenas de flores.

 

Porque se entregar de verdade a um amor puro basta, mesmo que sua coragem chegue “um pouco tarde”, ainda há tempo. É preciso tentar.

vilao

 

A complexidade do bem e do mal

 

Bem e mal, dois lados opostos, antagonistas e completamente diferentes. Mas será que a linha que os separa é facilmente encontrada mesmo?

 

Victor e Eli são dois amigos universitários, com seus próprios problemas pessoais e familiares, que decidem investigar a existência de pessoas ExtraOrdinárias, pessoas que possuem poderes sobre-humanos.

A pesquisa avança, a teoria vai se transformando em prática e os amigos se tornam inimigos, antagonistas.

Cada um possui sua própria visão de mundo e justificativas; com seus próprios olhares egoístas do mundo, não é possível classificá-los como bons.

Dois lados compostos por vilões, será que não existe o bem nessa história? Ou até mesmo neles?

 

Um livro que fará o leitor refletir sobre isso e perceber que esses conceitos são mais complexos do que se pode imaginar.

O ser humano é intrigante e repleto de nuances, como está retratado nos personagens. Nenhum deles é essencialmente bom ou mau, os dois possuem ambos; em certos momentos, tendendo mais para um lado do que para o outro.

Por isso, julgar alguém é um ato muito complicado. As definições de bem e mal são cristalinas, mas como o ser humano convive interna e externamente com ambos todos os dias, julgar é delicado.

 

Construímos nossas certezas, lutando e fazendo escolhas a todo momento; alguns sentimentos e certas compreensões de moralidade podem ser aprendidas, e ainda assim, as coisas se resumem às escolhas que fazemos.

A cada escolha que fazemos, geramos algo bom ou ruim, estamos construindo parte do mundo que habitamos.

Por isso, precisamos ter consciência e discernimento para lidar com as escolhas e com a constatação de que esses antagonistas eternos coexistem dentro de cada um de nós.

umanovachanceparaosrdoubler

 

Envelhecer

 

Envelhecer e renovar são processos que fazem parte da natureza. Mas para o ser humano, envelhecer é algo delicado.

É difícil pensar verdadeiramente no que significa envelhecer: perceber que seu corpo não responde mais como se gostaria, começar a perder pessoas que faziam parte da sua rotina, ficar com a mente confusa em alguns momentos e não entender porquê parece que as pessoas mais novas querem te descartar, sentir que não tem mais utilidade. Há tantos pontos negativos, que as coisas boas podem acabar sendo reprimidas.

 

‘Uma nova chance para o Sr. Doubler’ tratará exatamente disso: um senhor que reprimiu o lado bom da vida e do convívio com as pessoas, depois que sua esposa partiu. Desde então, ele vive recluso em sua fazenda, recebendo, durante a semana, apenas a visita da diarista; e uma vez ao mês, no 1º domingo, a visita dos filhos e dos netos.

Doubler é um senhor que escolheu e acolheu a solidão, ele evita as pessoas há mais de 20 anos por temer decepcionar e ser decepcionado, mas quando a sra. Millwood, a diarista, adoece, ele precisa enfrentar esse medo e encarar o “mundo real”, pela primeira vez em décadas.

E é tocante ver essa jornada, acompanhar esse senhor de idade que precisa reaprender a conviver com as pessoas, mas que tem algo que falta às pessoas de hoje em dia: a capacidade de ouvir.

 

Ele sempre teve longas conversas diariamente com a sra. Millwood, então aprendeu com o tempo a ouvir e a tentar analisar as situações por diferentes pontos de vista, como ela o incentivava a fazer.

Por isso, ao começar a conviver com as pessoas da cidade, especialmente os casos “perdidos”, como da senhora que tentava roubar o jumento do abrigo de animais, ele consegue descobrir mais do que todas as outras pessoas, simplesmente porque tentou fazer perguntas diferentes e realmente ouvir o que a confusa senhora tinha a dizer.

 

O livro mostra a importância da atenção, da capacidade de ouvir e também de entender que, mesmo com limitações, as pessoas mais velhas merecem oportunidades e novas chances de encontrar alegria, paz e serenidade.

Muitos dos amargurados estão apenas solitários e com um pouco de atenção (e uma xícara de chá) se revelam grandes contadores de histórias, com uma sabedoria singular e até um pouco de afeto para dar.

Fotor_157361606765772

 

Duvide sempre

 

Pensar na Segunda Guerra Mundial e em assuntos que envolvem o nazismo é refletir sobre o extremismo e a intolerância.

A humanidade já passou por muitas épocas tenebrosas, nas quais aflorava o pior lado do ser humano; o lado egoísta, preconceituoso, arrogante e cruel.

Mas esse livro não é sobre isso (ainda que seja um pouco).

 

Ascensão do IV Reich é uma ficção que considera diversas conspirações que envolvem a Alemanha, a Argentina e o Brasil. O livro é a continuação de Conspiração Nazi, e acompanhamos as reviravoltas na vida do Leandro por causa do livro que ele estava escrevendo.

Um novo desenrolar da importância do senso crítico e do perigo das manipulações.

 

Leandro é um escritor que começa a ser manipulado por intermédio de ameaças e começa a publicar histórias e teorias que não condizem com os seus pensamentos e os seus estudos.

Um livro que fala sobre o poder, que na mão de pessoas perigosas, representa um risco iminente, um “IV Reich”, uma “Nova Alemanha”, retomando conceitos retrógrados, preconceituosos e limitados.

 

Será possível que pessoas com ideias tão assustadoras possam encontrar ouvidos e mãos bem dispostas?

Em um mundo agitado e individualista, como o que vivemos, é necessário questionar ideias que soam limitadas, é preciso analisar com sabedoria propostas que parecem restritivas; para que o ódio e a intolerância não se tornem a palavra de ordem; para que os livros tenham mais valor do que as armas.

 

Porque os livros, as ideias, possuem um poder que pode transformar mentes, criar movimentos, gerar mudanças e transformações.

Que a palavra (escrita ou falada) seja usada com sabedoria para auxiliar e conduzir o mundo a dias melhores, um mundo mais acolhedor e tolerante.

 

As diferenças fazem parte do ser humano e devem ser acolhidas como mais um “quadradinho” que compõe essa imensa colcha de retalhos que é a humanidade.

Duvide, questione, empenhe-se mais na descoberta das informações, e assim você também estará construindo um mundo mais consciente, respeitoso e crítico.

quibungo

 

Amizade e coragem

 

Bino e Beto são dois grandes amigos que decidem enfrentar o bicho folclórico Quibungo.

Um monstro com fama de devorador implacável, mas os meninos não temem e se unem para recuperar o berimbau.

 

Uma história infantil que retrata a nossa cultura e também mostra o poder e a força da amizade.

Quando temos amigos leais, que estão conosco para qualquer situação, podemos superar o medo e encarar as dificuldades.

Juntos conseguiremos ganhar a luta e ultrapassar as barreiras que surgem na vida.

 

As crianças que lerem, irão gostar da narrativa repleta de rimas, conhecerão um pouco mais o folclore brasileiro e terão inspiração para construir amizades sinceras e duradouras. Aprendendo a valorizar os gostos e as escolhas de cada um, estando presentes nos momentos importantes.

E, também, enfrentando qualquer “Quibungo” que possa aparecer na vida, porque conforme crescemos, constatamos que monstros realmente existem, mas na forma de problemas e desafios aterrorizantes. No entanto, se tivermos coragem e pessoas que nos apoiem, conseguiremos superar todas essas questões.

 

Juntos somos mais fortes, unidos conseguiremos ir mais longe, assim como Beto e Bino fizeram.