Fala Werneck

O amor purifica

 

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Amar é se entregar, ter fé, lutar e construir a cada dia algo que permanecerá dentro de você.

Debaixo das minhas asas é um romance que fala sobre anjos, amor e redenção.

Abby é um anjo que se apaixona por um mortal, Alex. O relacionamento deles envolve muitas brigas, conflitos, mas o amor que constroem é admirável. Eles passam por muitas dificuldades, Abby sofre muito e Alex também. Muitas tragédias acontecem e eles partem, cada um à sua maneira, em busca de respostas e soluções para os seus problemas.

Ela conta com a ajuda de amigos, que sempre estão por perto para lhe apoiar e ajudar, mesmo quando ela mesma duvida de tudo. E ele vai criando amizades e parcerias, algumas duvidosas e outras nem tanto, e acaba se envolvendo em uma missão absurdamente perigosa.

Conforme a narrativa segue, percebemos como o amor deles é posto à prova, e como cada um lida de forma particular com os desafios que enfrentam.

Lidar com as diferenças e as dificuldades é fundamental para que um relacionamento seja construído e evolua de forma construtiva. Mas nem sempre as pessoas sabem agir da melhor maneira possível diante do problema, alguns vão duvidar, outros desistir, mas também é possível encontrar aquelas pessoas cuja fé no bem e no amor é inabalável.

Ao nosso redor, estamos cercados por situações decisivas e pessoas que agem de diferentes maneiras, algumas irão te mostrar sua covardia, e outras no entanto mostrarão força e determinação.

Por isso, sempre vale a pena acreditar e confiar no amor. Independente das dificuldades, você sempre encontrará pessoas que irão te apoiar, ajudar e amar.

Abby nos mostra isso, que sempre há esperança, mesmo que o resultado não seja exatamente como esperamos ou imaginamos, ele será o suficiente para suprir as necessidades do nosso coração.

Nunca desista, porque o futuro guarda coisas melhores, e mesmo aquelas coisas que não entendemos têm uma razão de existir. Quando os erros acontecerem, é preciso lidar com eles como uma força que nos ajuda a seguir em frente e tentar novamente, ao invés de algo feito para nos limitar e impedir de evoluir. Os erros fazem parte do processo de aprendizado.

Acredite sempre e confie.

O ‘algo a mais’ está logo ali na frente.

Realidade ou ficção?


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Conspiração Nazi é um livro que considera possibilidades assustadoras (mas possíveis): como seria o mundo se a Segunda Guerra Mundial tivesse terminado de outra forma? Ou então, e se Hitler tivesse sobrevivido?

Através de uma narrativa que apresenta um livro dentro de outro livro, temos duas ‘camadas’ contextuais: a primeira é onde nos é apresentado Leandro, um jornalista que não atua na profissão e é aspirante a escritor, mas ao considerar o processo de escrita, preocupa-se ao pensar como as pessoas irão reagir à sua criação, o que acaba lhe causando um imenso bloqueio criativo, até chegar o momento no qual ele decide escrever e se entregar à sua criação sem se preocupar tanto assim com a opinião das outras pessoas.  E a segunda camada apresenta a narrativa criada por Leandro, onde todo o mistério irá se desenrolar, e a conspiração será construída.

Afonso recebe de herança um hotel em Itatiaia de seu tio Célio faleceu, o sobrinho então viaja para a cidade com o objetivo de conhecer o lugar e averiguar se o investimento pode se tornar rentável, porém ele acaba se envolvendo em uma trama de mistérios e suspeitas, que irão começar a lhe consumir o tempo e os objetivos.

Ao conversar com os caseiros da casa onde o tio morava e com o mestre de obras do hotel contratado pelo tio, Afonso começa a desconfiar do suposto suicídio do tio, e ao investigar o assunto encontra documentos com suásticas, simpatizantes de nazistas ocultos, e muito perigo. Ele conta com a ajuda de seu amigo Marcelo e da bibliotecária Valéria nessa busca, porém os mistérios vão se tornando mais complexos e angustiantes a medida que a narrativa segue.

Durante a leitura, você estará envolvido num assunto que ainda entristece e assusta muitas pessoas: o nazismo. E o modo como a trama é construída, te faz considerar a possibilidade daquilo realmente ser possível, se não tudo, mas parte dessa conspiração.

O leitor será absorvido pela leitura de situações assustadoramente realistas e ao terminar ficará se questionando o que é real e o que não é… Até que ponto é possível que as mídias estejam manipulando as pessoas, e o quanto da História que lemos e estudamos ocorreu realmente daquela forma.

Como dizem, a arte imita a vida, mas a vida muitas vezes também acaba imitando a arte.

Ler Conspiração Nazi te transportará de volta às trevas da Segunda Guerra Mundial (mas nos dias de hoje), e é possível perceber que independente de toda a nossa tecnologia e evolução atual, o ser humano ainda tem a capacidade de ser absurdamente insensível, cruel e vil. No entanto, mesmo com todas as dificuldades e desvios ainda é possível se redimir, tentar ‘apagar’ um pouco do passado obscuro que segue a humanidade.

 

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Dedicação é tudo

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Érica é um livro que fala sobre assuntos opostos e graves; mostrando a força, o poder e o perigoso alcance de uma ordem religiosa extremista.

A Ordem das Doze Tribos de Israel (ODTI) é um grupo americano judeu que tem por objetivo “vingar” toda a injustiça que os judeus sofreram durante o percurso sinuoso da humanidade, mas com o decorrer da narrativa percebe-se que o seu objetivo é menos religioso e mais agressivo e capitalista, eles buscam poder e dominação.

A narrativa transcorre mostrando momentos da vida de pessoas em diferentes países: Brasil, Alemanha, Estados Unidos, Egito, China e Rússia. E inicialmente, é impossível perceber uma conexão entre elas, mas pouco a pouco percebemos que algo que elas têm em comum é uma ligação, forte ou tênue, com a ODTI. Alguns são simpatizantes, outros vítimas, e há aqueles também que são “arremessados sem querer” no meio dessa guerra sombria por soberania e vingança.

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Érica é a personagem que dá nome ao livro e vai passar por um momento difícil em sua vida que irá definir seu futuro e quem ela será; e consequentemente perceberá quão forte ela é e tudo do que é capaz, mesmo sendo tão jovem.

Essa guerra transcorre nas sombras, envolvendo diferentes potências mundiais que se encontram preocupadas diante da ameaça iminente que representa os Estados Unidos, com todo seu poderio militar e influência política.

Diversas personagens novas são inseridas nas histórias que já estão sendo contadas nesses seis países, e essa colcha de retalhos vai crescendo em dimensão de uma forma que parece que a ODTI não pode ser parada, e diante de situações caóticas, violência, sofrimento e pessimismo, as pessoas encontram formas de continuar lutando, uma mulher se inicia na ordem com o objetivo de descobrir informações privilegiadas e tentar impedir os atentados, mas então seus planos são descobertos, o perigo aumenta e a situação se torna mais caótica e confusa do que antes, envolvendo intrigas e assassinatos.

E então, nos últimos capítulos, a autora nos permite enxergar uma conexão brilhante, incrível (e assustadora) entre a vida de todas essas pessoas. Mostrando que é possível ir além, que é possível crer e ter esperança mesmo passando por momentos na vida de puro desespero, que sempre é possível contar com pessoas que estarão presentes para lhe ajudar e apoiar.

E de uma forma incrivelmente tocante, ela nos mostra o poder brutal de uma guerra, o nível de destruição que ela é alcança, especialmente em perdas humanas. E é verdade que “Numa guerra não há vencedores.” sempre existirá sofrimento, desolação e caos em uma guerra, porque independente do lado que “vencer”, ambos sofrerão perdas; e assim será destruído um pouco da essência de cada um, de cada país, de cada nação, de cada ser humano que participar dela.

As guerras são e sempre foram um grande problema no percurso da humanidade, e Érica nos faz refletir sobre a responsabilidade de cada pessoa nisso. Como cada um, independente do lugar em que vive ou das crenças, é capaz de ajudar a construir ou impedir uma guerra, seja ela grande envolvendo nações, grupos religiosos, ou mesmo pequena envolvendo apenas algumas pessoas desconhecidas; por isso, sempre vale a pena lutar e almejar a paz, a união e a compreensão entre as pessoas; o respeito é fundamental para que vivamos em comunidade, e o amor é a essência da vida. Muitos sofrem, penam e desanimam, mas nunca vale a pena desistir.

Cada um, por mais simples que seja, é capaz de alcançar grandes coisas e ajudar muito, basta acreditar e correr atrás.

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Érica irá te fazer duvidar, questionar, refletir, e também tentar descobrir, como afinal todas essas diferentes histórias se conectam. E acredite, você irá se surpreender.

 

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Como seria a humanidade em outro planeta?

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Quantas pessoas se questionam sobre a existência de vida em outros planetas e como ela seria? Ursula nos traz uma resposta ficcional para isto. No livro ‘A mão esquerda da escuridão’ iremos conhecer um planeta chamado Inverno, onde vivem seres humanos bem peculiares.

O leitor estará imerso em um planeta completamente diferente, em uma era mais avançada, evoluída; onde os seres humanos da Terra têm ‘poderes’ mentais, já desbravaram boa parte do universo e criaram um conselho que garante a comunicação e compartilhamento de informações entre diferentes planetas habitados por humanos. Alguns mais peculiares, outros nem tanto.

Estaremos na companhia de Genly Ai, um humano da Terra, que aceitou a missão de visitar, conhecer e tentar convencer as pessoas do planeta Inverno a entrarem para o conselho interplanetário.

Ai tem uma jornada intensa e extensa; passa alguns anos tentando conhecer um pouco as pessoas desse planeta, como elas são, o que fazem, como agem, e suas particularidades em relação aos humanos da Terra; e em meio a isso tudo, ele acaba se questionando e refletindo sobre questões relacionadas a sua própria humanidade. Ele irá refletir sobre emoções, gêneros, divisões de poder, direitos e deveres; e junto com ele, o leitor irá pensar sobre o significado de alguns coisas que estão ao nosso redor e que não refletimos, como por exemplo o que define o ‘papel’ do homem e da mulher na sociedade, e porque ele é restrito; como também a importância que as pessoas dão à individualidade, à definição de ser humano, ou seja, o que significa em essência ser humano.

A escritora criou uma diferença peculiar entre os humanos dos dois planetas, e o modo como o leitor irá descobrir o que realmente significa essa particularidade, é um pouco confuso, inicialmente, mas no decorrer da trama o assunto é esclarecido.

Genly passará por uma trajetória de questionamentos, dúvidas, desconfianças, fará algumas amizades, será traído por outras, e então irá perceber uma que sempre esteve presente e ele nunca constatou.

Seu caminho é por vezes penoso, e bastante solitário, mas Ai se surpreenderá ao perceber o quanto aprendeu com essas pessoas ‘estranhas’ que vivem no planeta Inverno, e como (sem perceber) aprendeu a aceita-las como são e conviver com elas por anos. Sendo ele o único ser ‘estranho’ e diferente nesse lugar distante.

E assim, acompanhando essa missão perigosa, iremos conhecer o que é a mão esquerda da escuridão, e refletir sobre o que nos define, o que nos aproxima e o que nos afasta uns dos outros.

Viver é estar receptivo à novas experiências, é encontrar a esperança nos momentos mais complicados e buscar a luz quando estiver passando pelas trevas da humanidade.

Porque independente das diferenças, que nos afastam, existem muitas similaridades e particularidades pelas quais vale a pena lutar e buscar. Sempre acreditando que a humanidade têm salvação, que é possível evoluir e ajudar os outros a evoluir também. Afinal, o conhecimento está disponível para ser aprendido e espalhado. Como diz no livro: “Não há princípio nem fim, pois tudo está no centro do tempo.” Portanto, deixe-se envolver pela mão esquerda da escuridão.

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Fazer arte é um jeito de viver

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A editora Intrínseca traz neste livro curto e divertido, através de uma arte gráfica dinâmica e elegante o discurso que o escritor Neil Gaiman fez em 2012 na Universidade das Artes na Filadélfia.

Ele discorre sobre a importância de acreditar em si mesmo e tentar ser melhor a cada dia, como é fundamental desenvolver a capacidade de levantar a cabeça e seguir em frente depois de cometer um erro, como também saber aproveitar o momento quando obtiver uma vitória.

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Gaiman fala muito sobre tentar sempre dar o seu melhor, independente dos erros que ocorrem no percurso, independente do sucesso ou não, e mesmo diante do que as pessoas possam falar. Porque o mais importante, o que vai permanecer com você, é a sua certeza de que fez algo bom, de que tentou o seu máximo e que se superou.

Não podemos nos limitar ao que as outras pessoas falam sobre a nossa área de atuação profissional, porque o impossível, apenas representa algo que ainda não tentaram ou não realizaram.

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Dificuldade sempre existiram e sempre irão existir; lutar para supera-las depende de cada um. É vital para o crescimento de cada um, ter a cada dia motivação e incentivo, partindo primeiro de você e se depois partir dos outros também, ótimo (mas não conte com isso). Não se limite, não se defina pelo modo como as outras pessoas te enxergam. Você pode ir além, a cada dia e sempre.

Ser artista é mais do que pintar, desenhar, esculpir; fazer arte é viver com intensidade, é enxergar o brilho do mundo ao nosso redor, é sentir o potencial de exuberância que existe em cada ser humano, é confiar na capacidade de união e superação da humanidade. Fazer arte é se permitir viver, sentir, expressar, amar.

Portanto, se você precisa de um incentivo, um apoio, um exemplo; realize essa leitura e aproveite para imaginar e criar momentos para fazer uma boa arte. Independente do mundo, independente das pessoas, e das situações da vida; crie sua própria arte: autêntica, única, sua.

E como o autor afirma: “Deixem o mundo mais interessante por estarem nele”.

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O amargo relato de uma mulher traída (e do que ela é capaz)

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            Jodi e Todd, um casal que tinha tudo para dar certo, e pode-se afirmar que durante um tempo deu; uma narrativa angustiante que por vezes leva o leitor a um sentimento de aversão às pessoas como as retratadas.

            A mulher silenciosa é um thriller diferente, onde o mistério representa algo além da resolução de um crime, como as pessoas vão sendo transformadas pelos relacionamentos que vivem e as escolhas que fazem.

            Jodi é uma mulher contida, em alguns aspectos fria e bastante metódica.

            Todd é um homem que enxerga seus deslizes não como falhas, mas características componentes do significado de ser homem.

            Um relacionamento que existe há anos; diferente, complexo ou simples, que representa uma situação cômoda para ambos. E então, ocorre uma mudança que transforma esse “mundinho” contido e silencioso que eles vivem.  Uma mudança que vai modificar cada um deles de forma única, que vai mostrar-lhes até que ponto podem ir, onde ficam seus limites e do que são capazes de fazer quando estão sob pressão.

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            O livro é um relato (um pouco) inusitado de um casamento como muitos, com algumas particularidades incomuns e algumas reações graves, mas nem de longe representa algo impossível de acontecer. E isso é o que torna o livro mais impactante, durante a leitura o leitor vai experimentar sentimentos de indignação, raiva, aversão; e diante de algumas atitudes, tanto dele quanto dela, pode entender um pouco do ponto de vista de cada um; e essa sensação de empatia ocorre principalmente porque o livro é narrado em primeira pessoa, revezando pelo ponto de vista dele e dela.

            O leitor então é levado a experimentar os sentimentos vividos por ambos, e compreender como cada um justifica suas atitudes e considera suas ações presentes, passadas e futuras; é possível perceber que o ser humano é composto por sentimentos complexos, por vezes divergentes e como uma ação que para um representa algo pequeno, normal, pode significar a perda de tudo que o outro conheceu como real e verdadeiro; é possível perceber também a capacidade humana de maximizar o próprio sofrimento e vitimização, e em paralelo minimizar as consequências do que o outro sofre e sente.

            Um livro que vai te angustiar, entreter e por fim, surpreender, pois diante do desenvolvimento da estória você vai acreditar ter compreendido tudo, mas surpresas ainda irão surgir nas últimas páginas.

 

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O amor dependente

      A narrativa é iniciada de forma interessante e promissora, pois somos apresentados a um narrador inusitado: o amor. E ele então irá contar a história do Caio e da Maria Augusta.

      A narrativa é dinâmica com acréscimo de fotos e cartas, e representa o relato de uma filha (Adriana Falcão, a autora) sobre a história de seus pais, e consequentemente de si mesma. E como o amor é marcado por momentos de dor, tristeza, solidão e sofrimento.

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      É um livro curto, porém muito introspectivo, porque ao acompanhar a trajetória do Caio e da Maria Augusta, somos apresentados aos momentos e situações que construíram suas personalidades como adultos, e mesmo cada um tendo seu tipo diferente de dificuldade, ambos sofrem.

      Maria Augusta e Caio começam o namoro adolescentes, quando ficam mais velhos noivam, e então se casam. Depois vêm os filhos, as mudanças geradas pelo emprego do Caio, as dificuldades da vida conjugal e as consequências desse relacionamento que é dependente por parte dela e melancólico por parte dele.

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      Maria Augusta abre mão de muitas oportunidades pelo amor, e limita “seu mundo” ao ambiente domiciliar e à família. E enquanto isso o Caio aproveita muitas oportunidades, mas sempre acompanhado de uma melancolia que lhe começa a ser característica e se transforma em um quadro depressivo.

      Ler esse livro é acompanhar a história de pessoas comuns, com dificuldades comuns e problemas que vão crescendo com o passar do tempo; e perceber também como as pessoas reagem de forma diferente diante das dificuldades; quando alguns preferem se negar a reconhecer as dificuldades, outros recorrem à bebida e tem também aqueles que se entregam à auto piedade.

      E quando os problemas são causados pela dependência do outro, a situação se agrava porque é algo que prejudica a própria pessoa e o ser amado; onde um deposita inteiramente no outro a responsabilidade pelo seu bem estar, pelas suas alegrias e tristezas, o relacionamento se torna complicado, tenso e conturbado.

      Com essa leitura percebemos as dificuldades que os casais enfrentam, independente da situação financeira ou da época em que vivem, o casamento representa uma grande mudança, um processo que será construído a dois e que também pode ser prejudicado pelos dois. E além do casamento, existe a construção de uma família, que dependendo das decisões e escolhas das pessoas, pode ser uma estrutura unida, forte e sólida ou frágil.

      Queria ver você feliz é um relato simples de uma história trágica.

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O bem (nem) sempre vence

      O conto dos filhos de Húrin representa um dos eventos mais importantes dos Dias Ancestrais. O livro nesta edição da editora WMF Martins Fontes Ltda, foi organizado por Christopher Tolkien, filho de J.R.R.Tolkien, e apresenta bonitas e detalhadas ilustrações feitas por Alan Lee; começa com um breve esclarecimento sobre a composição desta obra, através de muita pesquisa e estudo por parte do Christopher nos manuscritos e notas do pai, visto que ‘Os filhos de Húrin’ é um dos contos inacabados de Tolkien.

     A obra inicia narrando momentos marcantes da vida de Húrin, como seu casamento com Morwen, o nascimento de seus filhos, sua partida para a batalha das lágrimas sem fim, e sua captura pelos servos de Morgoth, que tenta dissuadi-lo a contar os segredos da terra escondida dos elfos, porém o homem não se rende, e acaba tendo sua linhagem amaldiçoada pelo senhor do escuro, como também sendo condenado a assistir a tragédia que seguirá o nome de sua família.

      A partir daí, o foco torna-se Túrin, filho primogênito de Húrin, cuja trajetória é marcada por batalhas, perdas, tragédias, desencontros e muitos sofrimentos. O jovem Túrin é enviado pela mãe ao reino escondido dos elfos em Doriath, onde cresce entre elfos, aprende sua língua e suas estratégias de guerra, ao atingir a maturidade ele passa a lutar ao lado dos elfos contra os orcs; mas sua vida transcorre de forma trágica e a maldição de Morgoth o alcança, levando-o a fugir do reino élfico, após um incidente com o conselheiro do rei; ao fugir, ele se junta aos proscritos, depois a alguns anões, retorna ao convívio dos elfos em outro reino, mas acaba trazendo sua queda, e mais uma vez a maldição de Morgoth o alcança. Porém, o pior dos golpes do senhor do escuro, envolve sua irmã Nienor; e através de um conjunto de desencontros, esquecimentos e um amor mal direcionado, a tragédia por fim os atinge de forma fatal.

      O livro termina de uma maneira um tanto abrupta, deixando alguns detalhes em aberto; mas mesmo com esses percalços, é possível perceber que é uma obra interessante, apresenta um evento fundamental para o mundo da Terra Média criado por J.R.R.Tolkien, e pelo que o organizador esclarece, é a edição com a forma mais completa do conto, que também está presente na obra ‘Contos Inacabados’, porém com uma composição mais simples e ‘recortada’.

      A narrativa nos mostra o porquê deste ser o conto mais sombrio escrito pelo autor, pois apesar das tentativas de mudança, e independente de quantas vezes Túrin muda de nome e tenta mudar seu destino, o mal o persegue e sempre consegue vencê-lo, tirando de sua companhia, amigos, amores, e a própria família. Então, com essa leitura podemos conhecer um pouco mais detalhadamente alguns dos personagens ancestrais mais importantes desse mundo fantástico, e acompanhar a tristeza que segue a vida de muitos homens, pessoas que mesmo tentando mudar seu destino, não conseguem se libertar de coisas que os afetam, mas que não estão ao seu alcance para controla-las.

      O conjunto de obras que narram esse mundo da Terra Média criado por Tolkien é vasto e complexo, envolvendo muitos detalhes, eras e personagens. Essa leitura instiga a continuação de outras, e para quem já conhece um pouco, representa uma chance de aprofundar seu conhecimento de personagens dos dias ancestrais, e descobrir mais alguns detalhes sobre a batalha das lágrimas ancestrais. Porém, para quem está iniciando a leitura deste mundo, não é o livro mais apropriado para começar, visto que será um pouco trabalhoso para se situar no contexto geral da narrativa.

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