Fala Werneck

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A complexidade do bem e do mal

 

Bem e mal, dois lados opostos, antagonistas e completamente diferentes. Mas será que a linha que os separa é facilmente encontrada mesmo?

 

Victor e Eli são dois amigos universitários, com seus próprios problemas pessoais e familiares, que decidem investigar a existência de pessoas ExtraOrdinárias, pessoas que possuem poderes sobre-humanos.

A pesquisa avança, a teoria vai se transformando em prática e os amigos se tornam inimigos, antagonistas.

Cada um possui sua própria visão de mundo e justificativas; com seus próprios olhares egoístas do mundo, não é possível classificá-los como bons.

Dois lados compostos por vilões, será que não existe o bem nessa história? Ou até mesmo neles?

 

Um livro que fará o leitor refletir sobre isso e perceber que esses conceitos são mais complexos do que se pode imaginar.

O ser humano é intrigante e repleto de nuances, como está retratado nos personagens. Nenhum deles é essencialmente bom ou mau, os dois possuem ambos; em certos momentos, tendendo mais para um lado do que para o outro.

Por isso, julgar alguém é um ato muito complicado. As definições de bem e mal são cristalinas, mas como o ser humano convive interna e externamente com ambos todos os dias, julgar é delicado.

 

Construímos nossas certezas, lutando e fazendo escolhas a todo momento; alguns sentimentos e certas compreensões de moralidade podem ser aprendidas, e ainda assim, as coisas se resumem às escolhas que fazemos.

A cada escolha que fazemos, geramos algo bom ou ruim, estamos construindo parte do mundo que habitamos.

Por isso, precisamos ter consciência e discernimento para lidar com as escolhas e com a constatação de que esses antagonistas eternos coexistem dentro de cada um de nós.

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Envelhecer

 

Envelhecer e renovar são processos que fazem parte da natureza. Mas para o ser humano, envelhecer é algo delicado.

É difícil pensar verdadeiramente no que significa envelhecer: perceber que seu corpo não responde mais como se gostaria, começar a perder pessoas que faziam parte da sua rotina, ficar com a mente confusa em alguns momentos e não entender porquê parece que as pessoas mais novas querem te descartar, sentir que não tem mais utilidade. Há tantos pontos negativos, que as coisas boas podem acabar sendo reprimidas.

 

‘Uma nova chance para o Sr. Doubler’ tratará exatamente disso: um senhor que reprimiu o lado bom da vida e do convívio com as pessoas, depois que sua esposa partiu. Desde então, ele vive recluso em sua fazenda, recebendo, durante a semana, apenas a visita da diarista; e uma vez ao mês, no 1º domingo, a visita dos filhos e dos netos.

Doubler é um senhor que escolheu e acolheu a solidão, ele evita as pessoas há mais de 20 anos por temer decepcionar e ser decepcionado, mas quando a sra. Millwood, a diarista, adoece, ele precisa enfrentar esse medo e encarar o “mundo real”, pela primeira vez em décadas.

E é tocante ver essa jornada, acompanhar esse senhor de idade que precisa reaprender a conviver com as pessoas, mas que tem algo que falta às pessoas de hoje em dia: a capacidade de ouvir.

 

Ele sempre teve longas conversas diariamente com a sra. Millwood, então aprendeu com o tempo a ouvir e a tentar analisar as situações por diferentes pontos de vista, como ela o incentivava a fazer.

Por isso, ao começar a conviver com as pessoas da cidade, especialmente os casos “perdidos”, como da senhora que tentava roubar o jumento do abrigo de animais, ele consegue descobrir mais do que todas as outras pessoas, simplesmente porque tentou fazer perguntas diferentes e realmente ouvir o que a confusa senhora tinha a dizer.

 

O livro mostra a importância da atenção, da capacidade de ouvir e também de entender que, mesmo com limitações, as pessoas mais velhas merecem oportunidades e novas chances de encontrar alegria, paz e serenidade.

Muitos dos amargurados estão apenas solitários e com um pouco de atenção (e uma xícara de chá) se revelam grandes contadores de histórias, com uma sabedoria singular e até um pouco de afeto para dar.

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Duvide sempre

 

Pensar na Segunda Guerra Mundial e em assuntos que envolvem o nazismo é refletir sobre o extremismo e a intolerância.

A humanidade já passou por muitas épocas tenebrosas, nas quais aflorava o pior lado do ser humano; o lado egoísta, preconceituoso, arrogante e cruel.

Mas esse livro não é sobre isso (ainda que seja um pouco).

 

Ascensão do IV Reich é uma ficção que considera diversas conspirações que envolvem a Alemanha, a Argentina e o Brasil. O livro é a continuação de Conspiração Nazi, e acompanhamos as reviravoltas na vida do Leandro por causa do livro que ele estava escrevendo.

Um novo desenrolar da importância do senso crítico e do perigo das manipulações.

 

Leandro é um escritor que começa a ser manipulado por intermédio de ameaças e começa a publicar histórias e teorias que não condizem com os seus pensamentos e os seus estudos.

Um livro que fala sobre o poder, que na mão de pessoas perigosas, representa um risco iminente, um “IV Reich”, uma “Nova Alemanha”, retomando conceitos retrógrados, preconceituosos e limitados.

 

Será possível que pessoas com ideias tão assustadoras possam encontrar ouvidos e mãos bem dispostas?

Em um mundo agitado e individualista, como o que vivemos, é necessário questionar ideias que soam limitadas, é preciso analisar com sabedoria propostas que parecem restritivas; para que o ódio e a intolerância não se tornem a palavra de ordem; para que os livros tenham mais valor do que as armas.

 

Porque os livros, as ideias, possuem um poder que pode transformar mentes, criar movimentos, gerar mudanças e transformações.

Que a palavra (escrita ou falada) seja usada com sabedoria para auxiliar e conduzir o mundo a dias melhores, um mundo mais acolhedor e tolerante.

 

As diferenças fazem parte do ser humano e devem ser acolhidas como mais um “quadradinho” que compõe essa imensa colcha de retalhos que é a humanidade.

Duvide, questione, empenhe-se mais na descoberta das informações, e assim você também estará construindo um mundo mais consciente, respeitoso e crítico.

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Amizade e coragem

 

Bino e Beto são dois grandes amigos que decidem enfrentar o bicho folclórico Quibungo.

Um monstro com fama de devorador implacável, mas os meninos não temem e se unem para recuperar o berimbau.

 

Uma história infantil que retrata a nossa cultura e também mostra o poder e a força da amizade.

Quando temos amigos leais, que estão conosco para qualquer situação, podemos superar o medo e encarar as dificuldades.

Juntos conseguiremos ganhar a luta e ultrapassar as barreiras que surgem na vida.

 

As crianças que lerem, irão gostar da narrativa repleta de rimas, conhecerão um pouco mais o folclore brasileiro e terão inspiração para construir amizades sinceras e duradouras. Aprendendo a valorizar os gostos e as escolhas de cada um, estando presentes nos momentos importantes.

E, também, enfrentando qualquer “Quibungo” que possa aparecer na vida, porque conforme crescemos, constatamos que monstros realmente existem, mas na forma de problemas e desafios aterrorizantes. No entanto, se tivermos coragem e pessoas que nos apoiem, conseguiremos superar todas essas questões.

 

Juntos somos mais fortes, unidos conseguiremos ir mais longe, assim como Beto e Bino fizeram.

 

 

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Viver é sentir

 

A vida é repleta de sensações e emoções; o poeta, bem cedo na vida, já vivencia a tragédia e o desamparo.

O significado do guarda-chuva é singelo, e ver a percepção dele de não ter um é triste.

 

O jovem então vai aprendendo como a vida pode te danificar e ameaçar. Mas também existem os momentos de alegria e serenidade. Nenhuma vida tem apenas um dos lados.

Ele segue temendo o amor, mas o coração mostra que não pode ser domado facilmente.

E quando o poeta tem ações agressivas e cruéis para proteger algum injustiçado, o leitor se questiona até que ponto é possível absolvê-lo da crueldade.

 

O bem exige dedicação e constância.

O mal pode ser atrativo, expressivo e se mostrar justificável. Mas algumas ações não têm argumento, existem atos que podem te marcar por décadas ou pelo resto da vida.

Um poeta que sempre duvidou de sua arte. Difícil imaginar, certo? No entanto, ele não tinha um guarda-chuva, o que torna a dúvida compreensível.

 

Cada um de nós precisa de um guarda-chuva para nos proteger das tempestades da vida.

Talvez, alguns sejam temporários, mas sempre precisamos de um. Nem que seja preciso criá-lo.

 

O livro narra com certa delicadeza diversas tragédias e intempéries humanas, o processo de descoberta da arte pelo poeta ocorre em meio às turbulências da vida, às ações realizadas sem muita reflexão, às outras que representam boas soluções e também àquelas que foram feitas no ardor da raiva, decepção e ódio.

 

Ele tem atitudes bruscas e até exageradas tentando ajudar pessoas, como a Pâmela e a Gisela.

Já com o Palhaço foi aquela conexão instantânea que se danifica pelo egoísmo humano.

 

No fim das contas, o ser humano é capaz de construir algo incrível e destruir algo memorável, tudo depende das escolhas.

A voz presente na mente do poeta acompanha cada um de nós. Em alguns momentos ela deve ser ouvida, em outros ignorada, mas não podemos deixá-la adormecer eternamente, porque as consequências serão trágicas e a tempestade pode ser mais forte do que qualquer abrigo.

 

Que possamos aprender a lidar com as tempestades e abrir o nosso próprio guarda-chuva. Porque todos nós merecemos alguma proteção.

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Sentimentos inesperados

 

Ainda não te disse nada é uma leitura emocionante e envolvente.

 

As cartas são lindas e a maneira improvável como o sentimento da Marina vai crescendo é tocante.

A reviravolta que acontece é inesperada, mas reflexiva. Porque leva o leitor a questionar o significado do amor e se realmente existem barreiras para um amor puro e verdadeiro.

A maneira como as coisas se encaixam na vida da personagem principal, como certas coisas não acontecem conforme as expectativas dela e outras se realizam de forma mais surpreendente ainda, nos mostra que a vida não vem com um roteiro, algumas coisas estão muito além do nosso controle, e não existe questionamento quanto a isso.

 

Esse livro expressa mais do que o amor, expressa esperança e fé na capacidade das pessoas de criar e construir algo com paixão e dedicação. Seja algo “antiquado” como escrever cartas, ou mesmo bombar um perfil no Instagram.

A Marina vive em dois mundos: o inesperado das cartas e o das aparências do Instagram. E todos nós sucumbimos (em parte) ao mundo digital, um mundo “perfeito”, repleto de sorrisos e filtros.

 

Precisamos valorizar e perceber toda a beleza que a vida nos oferece através do contato honesto e simples com as pessoas; sentimentos lindos podem ser construídos, não apenas do amor romântico, mas do amor entre amigos.

 

A vida nos traz muitas dificuldades, tristezas, mas ela também é linda e inesquecível; que possamos valorizar os nossos sentimentos e os das outras pessoas com o carinho e a atenção que dedicamos à escrita de uma carta, onde escrevemos com atenção à nossa letra e às nossas palavras, porque nelas está um pouco da nossa alma.

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A crua realidade do ser humano

 

Livros de contos podem ser problemáticos, porque o leitor, usualmente, gosta de algumas histórias e detesta outras. Mas O córrego possui uma consonância marcante, todas as histórias falam sobre a realidade humana; não apenas isso, mostram a ordinariedade da vida.

 

A vida pode ser bonita, satisfatória e gratificante; mas também pode ser emblemática e sombria.

O ser humano possui em si características boas e ruins, a cada momento, escolhas são feitas, e um desses “lados” fica em destaque.

Lázaro vai falar sobre o lado vil, sobre a crueldade e a tristeza que marca a vida de tantos.

 

A maldade pode ser “atrativa”, porque muitas pessoas recorrem à ela para conseguir o que querem. Como o homem que esfaqueia a prostituta e ainda se aproveita dela.

Alguns adoram tirar vantagem de tudo; outros sentem prazer em diminuir alguém, como a esposa insatisfeita. Há aqueles também que fazem algo prejudicial de forma consciente, por acreditar que não existe outro caminho para si, e encontram seus fins funestos de forma solitária.

Um livro que “incomoda” por sua exposição.

 

O ser humano pode ser vil e desprezível, ainda que esteja procurando sua própria nascente.

Muitas vidas acabam de repente e ao final da leitura é possível compreender a capa.

A vida é uma sequência de altos e baixos, até o momento em que tudo cessa.

Existem momentos que marcam e existem aqueles que definem todo o futuro.

Cada curva, cada pedra, cada pulsar, pode representar o fim ou apenas o começo.

Vidas se perdem, mas algumas podem ter um derradeiro significado.

 

No fim das contas, fazer algo ruim é fácil, mas a que custo? Fazer o bem, lutar por algo bom é difícil, trabalhoso, cansativo, mas sempre valerá a pena.

Questione a natureza egoísta do ser humano e transforme o seu percurso, modifique-o, antes da última batida.

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O sentido da vida

 

Os animais são seres adoráveis e este livro mostra algumas razões.

Quatro vidas de um cachorro é uma leitura linda e agradável sobre a simplicidade da vida.

O ser humano vive com a sua busca incansável pelo sentido da vida, pelo significado da sua existência neste mundo;  e talvez, a resposta seja simples e bem clara, só falta percepção para notar isso.

 

O cachorrinho da historia vive quatro vidas, e em cada uma ele ‘descobre’ a sua importância.

Sofremos a cada morte, mas logo vemos que é apenas uma transição para uma nova etapa.

A medida que as vidas vão se sucedendo e os aprendizados sendo acrescentados, notamos a conexão entre tudo isso. Cada coisinha que se aprende, é útil em algum momento.

 

O livro exemplifica com maestria a importância do amor, do cuidado, do carinho. As emoções podem ser simples, o ser humano que as complica muito.

Além de mostrar como o amor faz a vida florescer, também mostra como a falta de amor e o ódio podem corroer e destruir vidas.

Bailey ama e é amado, mas também vai aprendendo o perigo que algumas pessoas podem representar, a maldade que as consome; e as consequências dessa crueldade podem causar danos permanentes, como o que Todd causou ao Ethan.

Mas ainda assim, o amor e a amizade prevalecem, e por eles vale a pena lutar; independente da quantidade de vidas.

 

Os animais são seres carinhosos que iluminam a nossa vida, mas para que aprendam a amar, precisam ser amados.

Cuide e ame.

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Não se deixe silenciar

 

Vox é um livro muito bem escrito e que expressa um pouco do conhecimento linguístico da autora.

A leitura começa angustiante e revoltante, para nós é impensável uma sociedade onde as mulheres são silenciadas de maneira tão abrupta.

 

Contadores de palavras, uma quantidade ínfima é permitida e a penalidade para quem violar é cruel.

Por que as mulheres deveriam perder a sua voz? A justificativa e a explicação são baseadas na religião. O discurso de fanáticos transforma um país.

A conversão de milhares retrocede uma nação, e ameça gerações.

 

Um lugar assustador? Sim.

Impossível? Nem tanto.

O que torna a leitura mais impactante ainda.

 

Quando você lê livros que mostram o alcance do discurso de fanáticos; seja por razões políticas, religiosas, ou outra qualquer, percebemos o perigo da intolerância; a crueldade que pode dar seguimento à isso.

Um livro que irá lhe perturbar um pouco, mas também é um grito de alerta.

 

Por mais que tentem calar e submeter uma parte da população, não conseguirão por muito tempo. Sempre existirão pessoas dispostas a lutar, pessoas que resistirão às injustiças, e farão o máximo que conseguirem para mudar isso.

Como já se diz: para o mau triunfar, basta que o bem se cale.

 

Que possamos fazer com que nossa voz seja ouvida. Em um mundo onde as injustiças são grandes, que possamos ser um pequeno raio de luz, de solidariedade, de respeito.

Que as mulheres consigam falar e ser ouvidas com dignidade, que elas possam se expressar. Não apenas com a voz, mas também com o corpo.

 

Nossa voz pode ser ouvida de diferentes maneiras, e todas importam.

O silêncio também é relevante e possui seus momentos; mas que ele seja opcional, e não imposto.

 

Leia Vox e fale sempre.

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O sabor da vida

 

Doces dias ácidos fala sobre as dúvidas e os questionamentos que todos temos. Será que estou perdendo tempo? O que devo fazer? Eu sou bem-sucedida?

 

Todos nós, em algum momento, temos a sensação de ter estagnado.

Mas a vida, às vezes, dá um empurrãozinho, ou uma porrada. E é isso que acontece com a protagonista da história: depois de um certo evento traumático, ela percebe que chegou o momento de tomar decisões e mudar a vida que não a satisfaz.

Mudando de carreira e país, ela descobre um pouco sobre o mundo, e muito sobre si mesma.

 

A medida que vai vivendo novas experiências, ela percebe como o mundo é vasto e quantas pessoas diferentes podem fazer parte de sua vida, basta permitir.

 

É preciso estar aberto ao novo, para assim desvendar os mistérios do desconhecido e provar os diferentes sabores que a vida pode ter.

Sua casa pode ser sua fortaleza, ou uma prisão. Só depende de você. O que você escolherá?

 

Saindo de tudo que lhe é familiar, talvez você descubra um pouco do que verdadeiramente importa.

A família é importante, os animais também. E os amigos, esses serão o seu sustento.

 

A personagem principal, que não tem nome, representa todos que estão buscando.

E em algum momento encontrarão; o seu lugar, a sua essência, o que importa.

 

Se só fosse permitido considerar uma coisa deste livro, seria viajar. Viagens têm o poder de transformar pessoas e vidas.

Aproveite muito bem a sua.