Fala Werneck

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Primeira frase da página 100: “Apesar dos meus esforços para reproduzir o molho da minha mãe, o jantar é um desastre.”

 

Do que se trata o livro: O governo determina que as mulheres devem ter um número limitado de 100 palavras por dia, e elas começam a usar contadores que controlam o número de palavras ditas e penalizam as que forem faladas além. O livro é sobre um movimento retrógrado religioso que tem por objetivo modificar a sociedade, controlando e limitando as mulheres.

 

O que está achando até agora?

A leitura é interessante, angustiante, e dá raiva em muitos momentos. É interessante por nos fazer refletir sobre os perigos do fanatismo; angustiante porque, na sociedade que vivemos, é possível encontrar pessoas que concordariam com esse olhar retrógrado da família; dá raiva a explicação que eles dão para essa mudança absurda. Um livro para pensar muito e assustar com essas repercussões.

 

O que está achando da personagem principal?

Jean é uma mulher que “tinha tudo”: uma carreira de sucesso, pesquisas que gostava de fazer e uma família; e de repente, ela se vê limitada, silenciada. Tiram muitos dos prazeres da vida dela e ela silencia, sofre por não ter notado antes. Mas ela não irá desistir, lutará pela sua voz e da filha. Uma personagem forte, determinada, que tenta, da melhor maneira possível, se adaptar às situações assustadoras que surgem em sua vida.

 

Melhor quote até agora: “Você pode tirar muitas coisas de uma pessoa: dinheiro, emprego, estímulo intelectual, qualquer coisa. Pode tirar até suas palavras, mas isso não vai mudar sua essência.”

 

Vai continuar lendo? 

Preciso acompanhar como ela vai superar isso tudo, como ela fará as mulheres terem voz novamente. Porque elas vão falar. Por mais que tentem calá-las, não conseguirão. Não para sempre. Porque as mulheres sabem que têm valor e sabem que merecem um lugar no mundo, um lugar bom e digno. Todos merecem uma vida digna.

 

Última frase da página 100: “Ultimamente tudo parece ser uma escolha entre o pior e o menos pior.”

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Trechos

 

” – Você lê bastante.

–  É mais seguro do que me aventurar de verdade.”

 

“Não sei. Não sei. Gosto de ler histórias de aventura, claro, mas gosto de fazer isso no conforto e na segurança de meu quarto. Mas, afinal, o que é uma casa além de uma cama quentinha e aconchegante? Onde é minha casa?”

 

“- Obrigado. Essa foi a melhor reação que um desenho meu já causou em alguém. Em toda a minha vida.”

 

“Eu me pergunto como eu me sentiria em relação a esses monumentos se vivesse naquele tempo. Gosto de pensar que seria uma das pessoas que compreendia o quanto eles eram especiais, e que é justamente essa singularidade que faz com que algo, ou alguém, se torne único e insubstituível.”

 

“- Pensei que talvez eu finalmente pudesse descobrir algo sobre mim se me visse através dos seus olhos. Mas eu não estava lá.”

 

“Aprendi que se eu nunca sair da minha zona de conforto, nunca terei a chance de ser verdadeiramente feliz.”

 

“Todos rimos ao constatar como essa palavra soa estranha e diferente aos nossos ouvidos. É como descobrir um novo idioma ou se inserir em uma nova cultura. A cultura dos adultos. A gente ainda não sabe como funciona, mas, até o momento, parece bom.”

 

“- Sempre soube que você era brilhante. E você acaba de provar isso ao mundo.”

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A essência das tradições

 

A Índia é um lugar altamente religioso e cercado de tradições.

 

O livro nos falará sobre uma tradição específica, na qual as meninas de uma casta inferior devem ser entregues em casamento à deusa e passarem a vida como servas do tempo.

Mas a real significação desse ritual é bem mais assustador e cruel: essas meninas se tornam as prostitutas da aldeia, tendo a obrigação de atender todo e qualquer homem que aparecer em sua porta.

 

A leitura nos faz refletir sobre a importância das tradições, algumas representam uma parte edificativa da sociedade, mas também existem as que são o problema que continua destruindo a vida de muitos.

A tradição pode nos fortalecer, nos tornar pessoas melhores; mas também pode nos limitar e subjugar.

 

 Falar sobre religião, suas crenças e tradições, é um assunto delicado, exige tato e respeito. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, mas subjugar meninas de 8,9 anos é algo cruel, sombrio e triste.

Tantas vidas que se tocam e se destroem. Quantas pessoas precisarão sofrer até que se entenda que o futuro, para ser melhor, precisa ser construído com igualdade, respeito e amor?

Quantas meninas ainda sofrerão, não só na Índia mas em vários outros lugares do mundo, até que se respeite a infância?

 

As crianças merecem amor e respeito, elas merecem crescer cercadas de luz.

Elas merecem muito mais, para construir cada vez mais.

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Maio trouxe livros surpreendentes!

 

A filha

Um livro para refletir sobre a importância de se aproximar das pessoas com as quais você convive. Jenny é uma mãe que percebe, tarde demais, como é distante dos filhos. E, de repente, vê a sua vida familiar “perfeita” desmoronar.

O sumiço da filha revela segredos e sentimentos ocultos; com um final surpreendente, notamos que a família compreende significados diferentes para cada um.

 

Poesia que transforma

Me surpreendi com esse livro!

Depois de algum tempo sem ler poesia com muita frequência, retomei o hábito inspirada na Mariana. E o “Poesia que transforma” é repleto de poemas bonitos, inspiradores e rimas muito bem construídas. Além de ter um adicional envolvente que é a parte onde o autor comenta, após alguns poemas, o que o moveu a escrever aquilo, que história o inspirou e as histórias que o constituem.

 

Todas as cores do céu

Uma leitura tocante e triste sobre a realidade cruel de muitas mulheres na Índia.

O sistema de castas expressa uma injustiça enorme e por mais surpreendente que pareça, muitas dessas tradições perduram até os dias atuais.

O livro vai falar sobre a vida de uma menina de casta inferior que deve ser entregue em casamento à deusa, e assim, tornar-se prostituta. E também sobre uma outra menina que teve sua vida entrelaçada à primeira, e agora busca perdão.

 

Isla e o final feliz

Um livro juvenil bem fofo, mas que traz algumas reflexões. Afinal, a juventude é uma época repleta de descobertas e também marcada por decisões.

Isla se sente meio sem rumo, confusa e insegura. Mas a medida que vai tentando entender melhor as pessoas que a cercam, descobre muito sobre si mesma também.

 

Doces dias ácidos

Uma leitura fluída na qual acompanhamos uma mulher que se sente estagnada, aprisionada e sem rumo. Mas quando o acidente acontece, ela decide enfrentar as coisas e mudar sua situação.

Podemos perceber a importância das nossas decisões e das tentativas que fazemos para tentar mudar algo que não nos satisfaz. E mesmo que não possamos controlar os resultados, precisamos tentar.

 

Vox

A última leitura do mês gerou diferentes emoções. O livro desperta a raiva, a indignação, o medo, a revolta.

Uma população transformada por fanáticos, que buscam justificativas bizarras para seus atos cruéis.

E ainda assim, perto demais da realidade do nosso mundo atual, repleto de intolerância e falta de respeito.

Mas por mais revoltante que a história seja, ela nos dá um pouco de esperança; porque por mais que tentem calar as mulheres, não conseguirão. Sempre haverá alguém disposto a lutar e defender a liberdade.

 

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Primeira frase da página 100: ” – Sei. – Josh confirma com a cabeça. – Sei quem são eles.”

 

Do que se trata o livro: Conta a história de uma menina que é filha de pai americano e mãe francesa, está fazendo o Ensino Médio em Paris e também está se apaixonando pela primeira vez.

 

O que está achando até agora?

O livro é bem “amorzinho”. A autora tem uma escrita leve, e esses “dramas adolescentes” de primeiro amor me lembram muito O diário da Princesa. O romance é fofo, eles estudam em Paris e ela tem um melhor amigo que é companheiro e tem algumas singularidades. É interessante a forma que a autora criou um personagem autista, ele está sendo bem construído e mostra como é uma pessoa normal, que gosta de ter a amizade da Isla e gosta de rotinas, mas ainda assim é um adolescente como os outros; estuda, conversa, gosta da vida que tem (mesmo não gostando do nome que possui).

 

O que está achando da personagem principal?

Isla é uma menina tímida com pensamentos engraçados e que tenta se aproximar do garoto que gosta. É uma adolescente preocupada com os outros e amiga. Gosta muito do Kurt e fica triste quando se depara com pessoas que não entendem ou têm preconceito por ele ser como é.

 

Melhor quote até agora: ” – Você lê bastante.

– É mais seguro do que me aventurar de verdade.”

 

Vai continuar lendo?

Certamente. Depois de algumas leituras pesadas, preciso de algo leve e bonitinho. Cada livro possui seu momento e objetivo específico. Acho que o objetivo deste é nos fazer sorrir.

 

Última frase da página 100: ” Kurt está impressionado.”

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O córrego é um livro de contos que está se mostrando interessante e enigmático.

 

Nos dois contos que li, já pude perceber que trata-se de um livro diferente; e isso é incrível.

Vivemos em um mundo onde as pessoas se acostumaram a receber todas as informações “mastigadas”, sendo comum no primeiro capítulo de um livro já imaginar o final. Alguns nos surpreendem, mas muitos não.

E ao começar essa leitura, constatei que ele não é assim, é diferenciado.

 

Os primeiros contos já falam de tanta coisa em poucas páginas, com suas metáforas bem construídas que podem ser lidas de diferentes maneiras.

É difícil escrever um texto que permita múltiplas interpretações bem elaboradas.

 

A busca pela nascente do córrego pode representar tantas coisas; pode significar tantas experiências, e a identificação que o leitor pode construir com o texto é estranhamente simples.

Mesmo que cada um enxergue algo particular, todos nós buscamos uma nascente, a nossa própria nascente. O caminho é longo e nos faz querer desistir, mas o apelo da busca é maior.

Existem coisas muito maiores do que as dificuldades e devemos lutar por elas.

 

Enfim, espero que a leitura continue inspiradora e que mais pessoas conheçam esse livro, que já se mostra singular.

Precisamos aproveitar melhor nossas leituras, permitindo que elas nos transformem.

Precisamos ir além com as leituras, faça isso.

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Trechos

 

“Sorte. Boa sorte, hoje é meu dia de sorte, deseje-me sorte. Uma palavra trivial para descrever o peso daquelas mudanças do destino que se abrem ou se fecham para você, como grandes portas batendo ao vento.”

 

“Comuns, apesar de terem sido os últimos dias de minha vida em família; comuns, apesar de eu ter descoberto que quase todo mundo estava mentindo.”

 

“A paz nesse quarto é tão palpável que sinto vontade de me deitar na cama ao lado do gato e fechar os olhos. Há muito tempo, tanto que não consigo me lembrar, não sinto uma paz desse modo.”

 

“Quando somos jovens, pensamos que sabemos de tudo.”

 

“Se eu tivesse me concentrado em todas as pequenas mudanças em vez de arrastá-las para o fundo de minha mente, eu poderia tê-la ajudado.”

 

“Um lapso. Não uma traição nem uma mentira. Depois de vinte anos, havia camadas e camadas de importância naquilo, mas, se eu perdesse o foco, poderia ser sugada para dentro das profundezas da importância.”

 

“Mas não foi um filme; filmes românticos têm finais felizes. Na vida real, só os começos são felizes e nada termina bem. Mas, na verdade, nada termina.”

 

“Filhos de pais tão ocupados que ninguém falava sobre as coisas que realmente importavam, nem notavam que seus filhos estavam mudando.”

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TBR prontinha!

As sinopses:

 

O garoto da casa ao lado – Meg Cabot

Melissa Fuller é uma garota do interior que escreve para a coluna de fofocas do New York Journal, uma publicação de segunda categoria. Um dia, ela socorre Helen Friedlander, sua vizinha de oitenta anos que entra em coma após levar um golpe na cabeça. Além de tomar conta dos dois gatos e do cão dinamarquês da Sra. Friedlander, Mel fica de olho no misterioso sobrinho dela, que se mudou para a casa da tia para também cuidar dos bichinhos.

 

As mil partes do meu coração – Colleen Hoover

“Ficamos abraçadas por um bom tempo e isso me fez questionar por que todos nessa família se opuseram tanto à sinceridade e aos abraços nos últimos anos. Acho que todos nós chegamos ao ponto em que esperávamos que alguém tomasse a iniciativa, mas ninguém jamais tomou. Talvez essa seja a origem de muitos problemas: ninguém tem a coragem de dar o primeiro passo para falar desses problemas.”

 

Quatro vidas de um cachorro – W. Bruce Cameron

Esta é a inesquecível história de um cão que, após renascer várias vezes, imagina que haja uma razão para seu retorno, um propósito a cumprir e que, enquanto não o alcançar, continuará renascendo.

 

13 segundos – Bel Rodrigues

– Como pude deixar ele dominar tão bem meus sentimentos? Como pude entregar meu coração a uma pessoa tão pequena? – questionei, mas sem querer ouvir as respostas.

– Lola, olha pra mim. O seu coração está em boas mãos agora. Nas suas.

 

E a TBR de vocês, já está pronta? Quais serão suas próximas leituras? 🙂

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Ponto de vista

 

Um homem que em vida não buscou construir vínculos e valores bons, encontra na morte uma solidão e um não pertencimento, sendo uma alma perdida com seu próprio corpo ainda.

Em contrapartida, temos um menino que tem atitudes boas e se preocupa com o avô.

 

Dois personagens bem diferentes: um, quer usar seu desalento para levar medo e desespero às pessoas com as quais encontra; o outro, quer apenas ajudar, cumprindo seu “dever” e não sendo feito de bobo pelos amigos.

 

Corpo Seco é escrito em versos com rimas, um livro infantil que através de suas metáforas pode desenvolver diversos conceitos interessantes para os pequenos.

Pais e professores podem se aproveitar dessa história de terror para conversar com suas crianças, analisando a vida dos personagens e como cada um percebe as situações de forma diferente.

 

 E não apenas para as crianças, nós adultos podemos refletir sobre a maneira como estamos enxergando a vida, se isso é algo bom ou ruim.

Às vezes, com as situações da vida cotidiana, acabamos limitando o nosso olhar e não percebemos como as coisas poderiam ser diferentes.

 

Empatia, serenidade, amabilidade.

Conceitos que podem ser apenas isso: palavras em um papel; ou podem ser muito mais. Se nos permitirmos ter um olhar menos amargo diante da vida, notaremos quanta doçura ela pode conter.

 

Basta termos coragem de encarar com um novo olhar.

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Trechos

“Só estou tentando dizer que você tem talento. O motivo pode ser esse.”

 

“A combinação de uma mulher tão poderosa com um gesto tão humilde é sem dúvida encantadora.”

 

‘”Muito bem”, digo. “Me mostre quem você é de verdade, então E eu vou tratar de fazer o mundo entender.”‘

 

“Quando for mais velha. Precisa encontrar um trabalho que faça seu coração bater mais forte, e não um que deixe seu peito apertado.”

 

“Gostava de encontrar diferentes maneiras de interpretar o mundo real. Gostava da ideia de me conectar com as pessoas contando as histórias delas.”

 

‘”Primeira: você precisa aprender a se impor e a não se sentir mal com isso. Ninguém vai te dar nada de graça se você não pedir. Você tentou. E levou um não. Supere isso.”‘

 

“Quando a pessoa percebe que pode contar a verdade para alguém, que pode se abrir, que pode desabafar totalmente e receber como resposta: ‘Comigo essas coisas estão a salvo’. Isso é intimidade.”

 

“A questão aqui é exatamente essa, não? É por isso que ela faz tanta questão de ser compreendida, de ser descrita nos termos exatos. Porque quer ser vista como é de verdade, com todas as nuances possíveis. Assim como eu sempre quis ser vista.”

 

“Às vezes a realidade desaba sobre nós. Mas às vezes se põe a esperar pacientemente até a gente gastar todas as energias e não ter mais forças para negá-la.”

 

“Não existem vítimas nem vitoriosos. Todo mundo ganha por um lado e perde por outro. Quem insiste em se retratar como uma coisa ou outra não está só enganando a si mesmo, também está se colocando num papel que chega a ser ridículo de tão clichê.”

 

“Não me sinto pressionada a parar de chorar. Não sinto necessidade de me explicar. Ninguém precisa fingir que está bem para uma boa mãe; uma boa mãe faz tudo ficar bem. E a minha mãe sempre foi ótima.”

 

“Quando se escava um pouquinho abaixo da superfície, a vida de qualquer um pode ser original, interessante, cheia de nuances e impossível de encaixar numa definição fácil.”