Fala Werneck

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A essência das tradições

 

A Índia é um lugar altamente religioso e cercado de tradições.

 

O livro nos falará sobre uma tradição específica, na qual as meninas de uma casta inferior devem ser entregues em casamento à deusa e passarem a vida como servas do tempo.

Mas a real significação desse ritual é bem mais assustador e cruel: essas meninas se tornam as prostitutas da aldeia, tendo a obrigação de atender todo e qualquer homem que aparecer em sua porta.

 

A leitura nos faz refletir sobre a importância das tradições, algumas representam uma parte edificativa da sociedade, mas também existem as que são o problema que continua destruindo a vida de muitos.

A tradição pode nos fortalecer, nos tornar pessoas melhores; mas também pode nos limitar e subjugar.

 

 Falar sobre religião, suas crenças e tradições, é um assunto delicado, exige tato e respeito. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser, mas subjugar meninas de 8,9 anos é algo cruel, sombrio e triste.

Tantas vidas que se tocam e se destroem. Quantas pessoas precisarão sofrer até que se entenda que o futuro, para ser melhor, precisa ser construído com igualdade, respeito e amor?

Quantas meninas ainda sofrerão, não só na Índia mas em vários outros lugares do mundo, até que se respeite a infância?

 

As crianças merecem amor e respeito, elas merecem crescer cercadas de luz.

Elas merecem muito mais, para construir cada vez mais.

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Maio trouxe livros surpreendentes!

 

A filha

Um livro para refletir sobre a importância de se aproximar das pessoas com as quais você convive. Jenny é uma mãe que percebe, tarde demais, como é distante dos filhos. E, de repente, vê a sua vida familiar “perfeita” desmoronar.

O sumiço da filha revela segredos e sentimentos ocultos; com um final surpreendente, notamos que a família compreende significados diferentes para cada um.

 

Poesia que transforma

Me surpreendi com esse livro!

Depois de algum tempo sem ler poesia com muita frequência, retomei o hábito inspirada na Mariana. E o “Poesia que transforma” é repleto de poemas bonitos, inspiradores e rimas muito bem construídas. Além de ter um adicional envolvente que é a parte onde o autor comenta, após alguns poemas, o que o moveu a escrever aquilo, que história o inspirou e as histórias que o constituem.

 

Todas as cores do céu

Uma leitura tocante e triste sobre a realidade cruel de muitas mulheres na Índia.

O sistema de castas expressa uma injustiça enorme e por mais surpreendente que pareça, muitas dessas tradições perduram até os dias atuais.

O livro vai falar sobre a vida de uma menina de casta inferior que deve ser entregue em casamento à deusa, e assim, tornar-se prostituta. E também sobre uma outra menina que teve sua vida entrelaçada à primeira, e agora busca perdão.

 

Isla e o final feliz

Um livro juvenil bem fofo, mas que traz algumas reflexões. Afinal, a juventude é uma época repleta de descobertas e também marcada por decisões.

Isla se sente meio sem rumo, confusa e insegura. Mas a medida que vai tentando entender melhor as pessoas que a cercam, descobre muito sobre si mesma também.

 

Doces dias ácidos

Uma leitura fluída na qual acompanhamos uma mulher que se sente estagnada, aprisionada e sem rumo. Mas quando o acidente acontece, ela decide enfrentar as coisas e mudar sua situação.

Podemos perceber a importância das nossas decisões e das tentativas que fazemos para tentar mudar algo que não nos satisfaz. E mesmo que não possamos controlar os resultados, precisamos tentar.

 

Vox

A última leitura do mês gerou diferentes emoções. O livro desperta a raiva, a indignação, o medo, a revolta.

Uma população transformada por fanáticos, que buscam justificativas bizarras para seus atos cruéis.

E ainda assim, perto demais da realidade do nosso mundo atual, repleto de intolerância e falta de respeito.

Mas por mais revoltante que a história seja, ela nos dá um pouco de esperança; porque por mais que tentem calar as mulheres, não conseguirão. Sempre haverá alguém disposto a lutar e defender a liberdade.

 

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Primeira frase da página 100: ” – Sei. – Josh confirma com a cabeça. – Sei quem são eles.”

 

Do que se trata o livro: Conta a história de uma menina que é filha de pai americano e mãe francesa, está fazendo o Ensino Médio em Paris e também está se apaixonando pela primeira vez.

 

O que está achando até agora?

O livro é bem “amorzinho”. A autora tem uma escrita leve, e esses “dramas adolescentes” de primeiro amor me lembram muito O diário da Princesa. O romance é fofo, eles estudam em Paris e ela tem um melhor amigo que é companheiro e tem algumas singularidades. É interessante a forma que a autora criou um personagem autista, ele está sendo bem construído e mostra como é uma pessoa normal, que gosta de ter a amizade da Isla e gosta de rotinas, mas ainda assim é um adolescente como os outros; estuda, conversa, gosta da vida que tem (mesmo não gostando do nome que possui).

 

O que está achando da personagem principal?

Isla é uma menina tímida com pensamentos engraçados e que tenta se aproximar do garoto que gosta. É uma adolescente preocupada com os outros e amiga. Gosta muito do Kurt e fica triste quando se depara com pessoas que não entendem ou têm preconceito por ele ser como é.

 

Melhor quote até agora: ” – Você lê bastante.

– É mais seguro do que me aventurar de verdade.”

 

Vai continuar lendo?

Certamente. Depois de algumas leituras pesadas, preciso de algo leve e bonitinho. Cada livro possui seu momento e objetivo específico. Acho que o objetivo deste é nos fazer sorrir.

 

Última frase da página 100: ” Kurt está impressionado.”

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O córrego é um livro de contos que está se mostrando interessante e enigmático.

 

Nos dois contos que li, já pude perceber que trata-se de um livro diferente; e isso é incrível.

Vivemos em um mundo onde as pessoas se acostumaram a receber todas as informações “mastigadas”, sendo comum no primeiro capítulo de um livro já imaginar o final. Alguns nos surpreendem, mas muitos não.

E ao começar essa leitura, constatei que ele não é assim, é diferenciado.

 

Os primeiros contos já falam de tanta coisa em poucas páginas, com suas metáforas bem construídas que podem ser lidas de diferentes maneiras.

É difícil escrever um texto que permita múltiplas interpretações bem elaboradas.

 

A busca pela nascente do córrego pode representar tantas coisas; pode significar tantas experiências, e a identificação que o leitor pode construir com o texto é estranhamente simples.

Mesmo que cada um enxergue algo particular, todos nós buscamos uma nascente, a nossa própria nascente. O caminho é longo e nos faz querer desistir, mas o apelo da busca é maior.

Existem coisas muito maiores do que as dificuldades e devemos lutar por elas.

 

Enfim, espero que a leitura continue inspiradora e que mais pessoas conheçam esse livro, que já se mostra singular.

Precisamos aproveitar melhor nossas leituras, permitindo que elas nos transformem.

Precisamos ir além com as leituras, faça isso.

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Trechos

 

“Sorte. Boa sorte, hoje é meu dia de sorte, deseje-me sorte. Uma palavra trivial para descrever o peso daquelas mudanças do destino que se abrem ou se fecham para você, como grandes portas batendo ao vento.”

 

“Comuns, apesar de terem sido os últimos dias de minha vida em família; comuns, apesar de eu ter descoberto que quase todo mundo estava mentindo.”

 

“A paz nesse quarto é tão palpável que sinto vontade de me deitar na cama ao lado do gato e fechar os olhos. Há muito tempo, tanto que não consigo me lembrar, não sinto uma paz desse modo.”

 

“Quando somos jovens, pensamos que sabemos de tudo.”

 

“Se eu tivesse me concentrado em todas as pequenas mudanças em vez de arrastá-las para o fundo de minha mente, eu poderia tê-la ajudado.”

 

“Um lapso. Não uma traição nem uma mentira. Depois de vinte anos, havia camadas e camadas de importância naquilo, mas, se eu perdesse o foco, poderia ser sugada para dentro das profundezas da importância.”

 

“Mas não foi um filme; filmes românticos têm finais felizes. Na vida real, só os começos são felizes e nada termina bem. Mas, na verdade, nada termina.”

 

“Filhos de pais tão ocupados que ninguém falava sobre as coisas que realmente importavam, nem notavam que seus filhos estavam mudando.”

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TBR prontinha!

As sinopses:

 

O garoto da casa ao lado – Meg Cabot

Melissa Fuller é uma garota do interior que escreve para a coluna de fofocas do New York Journal, uma publicação de segunda categoria. Um dia, ela socorre Helen Friedlander, sua vizinha de oitenta anos que entra em coma após levar um golpe na cabeça. Além de tomar conta dos dois gatos e do cão dinamarquês da Sra. Friedlander, Mel fica de olho no misterioso sobrinho dela, que se mudou para a casa da tia para também cuidar dos bichinhos.

 

As mil partes do meu coração – Colleen Hoover

“Ficamos abraçadas por um bom tempo e isso me fez questionar por que todos nessa família se opuseram tanto à sinceridade e aos abraços nos últimos anos. Acho que todos nós chegamos ao ponto em que esperávamos que alguém tomasse a iniciativa, mas ninguém jamais tomou. Talvez essa seja a origem de muitos problemas: ninguém tem a coragem de dar o primeiro passo para falar desses problemas.”

 

Quatro vidas de um cachorro – W. Bruce Cameron

Esta é a inesquecível história de um cão que, após renascer várias vezes, imagina que haja uma razão para seu retorno, um propósito a cumprir e que, enquanto não o alcançar, continuará renascendo.

 

13 segundos – Bel Rodrigues

– Como pude deixar ele dominar tão bem meus sentimentos? Como pude entregar meu coração a uma pessoa tão pequena? – questionei, mas sem querer ouvir as respostas.

– Lola, olha pra mim. O seu coração está em boas mãos agora. Nas suas.

 

E a TBR de vocês, já está pronta? Quais serão suas próximas leituras? 🙂

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Ponto de vista

 

Um homem que em vida não buscou construir vínculos e valores bons, encontra na morte uma solidão e um não pertencimento, sendo uma alma perdida com seu próprio corpo ainda.

Em contrapartida, temos um menino que tem atitudes boas e se preocupa com o avô.

 

Dois personagens bem diferentes: um, quer usar seu desalento para levar medo e desespero às pessoas com as quais encontra; o outro, quer apenas ajudar, cumprindo seu “dever” e não sendo feito de bobo pelos amigos.

 

Corpo Seco é escrito em versos com rimas, um livro infantil que através de suas metáforas pode desenvolver diversos conceitos interessantes para os pequenos.

Pais e professores podem se aproveitar dessa história de terror para conversar com suas crianças, analisando a vida dos personagens e como cada um percebe as situações de forma diferente.

 

 E não apenas para as crianças, nós adultos podemos refletir sobre a maneira como estamos enxergando a vida, se isso é algo bom ou ruim.

Às vezes, com as situações da vida cotidiana, acabamos limitando o nosso olhar e não percebemos como as coisas poderiam ser diferentes.

 

Empatia, serenidade, amabilidade.

Conceitos que podem ser apenas isso: palavras em um papel; ou podem ser muito mais. Se nos permitirmos ter um olhar menos amargo diante da vida, notaremos quanta doçura ela pode conter.

 

Basta termos coragem de encarar com um novo olhar.

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Trechos

“Só estou tentando dizer que você tem talento. O motivo pode ser esse.”

 

“A combinação de uma mulher tão poderosa com um gesto tão humilde é sem dúvida encantadora.”

 

‘”Muito bem”, digo. “Me mostre quem você é de verdade, então E eu vou tratar de fazer o mundo entender.”‘

 

“Quando for mais velha. Precisa encontrar um trabalho que faça seu coração bater mais forte, e não um que deixe seu peito apertado.”

 

“Gostava de encontrar diferentes maneiras de interpretar o mundo real. Gostava da ideia de me conectar com as pessoas contando as histórias delas.”

 

‘”Primeira: você precisa aprender a se impor e a não se sentir mal com isso. Ninguém vai te dar nada de graça se você não pedir. Você tentou. E levou um não. Supere isso.”‘

 

“Quando a pessoa percebe que pode contar a verdade para alguém, que pode se abrir, que pode desabafar totalmente e receber como resposta: ‘Comigo essas coisas estão a salvo’. Isso é intimidade.”

 

“A questão aqui é exatamente essa, não? É por isso que ela faz tanta questão de ser compreendida, de ser descrita nos termos exatos. Porque quer ser vista como é de verdade, com todas as nuances possíveis. Assim como eu sempre quis ser vista.”

 

“Às vezes a realidade desaba sobre nós. Mas às vezes se põe a esperar pacientemente até a gente gastar todas as energias e não ter mais forças para negá-la.”

 

“Não existem vítimas nem vitoriosos. Todo mundo ganha por um lado e perde por outro. Quem insiste em se retratar como uma coisa ou outra não está só enganando a si mesmo, também está se colocando num papel que chega a ser ridículo de tão clichê.”

 

“Não me sinto pressionada a parar de chorar. Não sinto necessidade de me explicar. Ninguém precisa fingir que está bem para uma boa mãe; uma boa mãe faz tudo ficar bem. E a minha mãe sempre foi ótima.”

 

“Quando se escava um pouquinho abaixo da superfície, a vida de qualquer um pode ser original, interessante, cheia de nuances e impossível de encaixar numa definição fácil.”

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Primeira frase da página 100: “As ondas do mar não pareciam mais tão ameaçadoras; em vez disso, eu ouvia música nelas.”

 

Do que se trata o livro: Uma jovem indiana decide voltar para sua terra natal e procurar a menina que fez parte do seu passado. Uma menina que se tornou parte da família, mesmo que separada pela situação das castas. Tara tenta achar a amiga, que desde muito pequena teve uma vida sofrida, precisando lidar com muitas situações traumáticas.

 

O que está achando até agora?

O livro é pesado. É triste ler sobre a vida completamente diversa que as pessoas têm na Índia por causa de algo como as castas. Uma separação bizarra que determina o rumo da vida das pessoas e com uma explicação religiosa chocante. Que deuses são esses que consideram uns importantes e outros menos do que nada? Que deusa é essa que demanda às meninas uma vida de entrega do corpo a qualquer homem que quiser? São apenas crianças!

 

O que está achando da personagem principal?

O livro intercala capítulos pelo ponto de vista de Tara e de Mukta. A primeira está no presente, e a outra no passado. Então, para este momento considero Tara a personagem principal. Ela parece uma jovem que, até o momento, teve uma vida boa, mas que precisou fugir com o pai e se culpa por não terem levado Mukta. O pai sempre foi alguém que ela admirava e a mostrou que as pessoas são iguais. Não se deve olhar para algumas achando que são melhores que outras. Ela está nessa busca, usando todos os meios que consegue, para descobrir o que houve com Mukta.

 

Melhor quote até agora: “Mas depois, aos poucos, descobri que há uma coisa que todos temos em comum, independente da casta ou da religião: todos somos feridos ao longo da vida, todos queremos sobreviver e ser felizes e todos precisamos ser bem tratados.”

 

Vai continuar lendo?

Certamente, quero saber o destino de Mukta e o motivo de Tara se culpar pelo ocorrido.

 

Última frase da página 100: “Eu não conseguia acreditar que tinha permissão de ver um lugar tão grandioso quanto aquele.”

 

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O que te define?

 

Os sete maridos de Evelyn Hugo é um livro muito bem escrito e estruturado, com uma narrativa envolvente sobre uma atriz famosa de Hollywood; que agora, aos 79 anos, decide revelar a verdade por trás de sua vida escandalosa.

 

No decorrer da leitura, vamos conhecendo diferentes camadas dessa personagem que é muito mais do que uma vida de ousadia e fama, e bem mais importante do que seus sete casamentos.

Inicialmente, julgamos se tratar de uma pessoa inconsequente que adora chocar e agir por impulso.

No entanto, acompanhamos a trajetória de uma jovem que desde nova tenta entender o seu lugar no mundo, e faz o que considera necessário para sair de uma situação de pobreza e realizar um sonho.

 

Nesse percurso, ela vai aprendendo a se conhecer, a lidar com as pessoas e os diferentes tipos de relacionamentos. Vai construindo sua percepção de sensualidade e o que isso significa.

Uma mulher marcada por escolhas, decisões que nem sempre foram pessoais, e tudo o mais que isso acarretou.

 

E além de termos Evelyn, essa senhora que decide revelar os segredos de décadas, há Monique, uma jovem repórter que é escolhida por Evelyn para fazer esse registro e nem sabe o motivo de ser a designada para a tarefa.

 

Duas vidas diferentes, duas mulheres que tentam compreender o seu valor e a sua relevância para o mundo.

 

O leitor ficará chocado quando o segredo que as une for revelado, e então tentará refletir sobre o que define uma pessoa.

Será que podemos definir uma pessoa pelo que ela mostra ao mundo?

Isso não representa tudo.

 

Vários fatores constituem uma pessoa. Existem circunstâncias, escolhas, sentimentos; tudo isso junto irá desenvolver a sua maturidade, construir a sua personalidade.

E dificilmente, você chegará à velhice sem arrependimentos. Mas, ainda assim, você pode manter a cabeça erguida por ter tentado da melhor maneira que conseguia, como Evelyn Hugo.